quinta-feira, dezembro 14, 2006
Os momentos incertos da saudade;
Carrego pedaços de fantasmas daqueles biombos do quarto soprado
[sem cortinas para que nao me esconda];
Livros desfolhados, esquecidos no tempo.
Folheados pelos dedos amargos desse copo vazio;
Levo comigo as sensaçoes abstractas;
O meu mundo cheio, sem porta para entrar.
quarta-feira, novembro 22, 2006
Sardo Pasmo

Estou agachado ao chão [e é lá que ouço as luzes dadas da cidade ruidosa]
No torresmo de terra batida – no aflito conforto do ponto de urze;
No espelho inquieto que se compraz com a pedra degradada;
E a esdrúxula memória da espera saliente.
Varrem jograis no marulhar citadino;
Semáforos que grunhem ao silêncio;
E raspam perecíveis úlceras à esquizofrenia dos dedos que cravam o ar;
É espera casta das memórias adormecidas;
O prazer dado, raspado da língua galgada pelo amargo;
Em doce trago depois [como esse, do mel jorrado em torrão]!
E lá, migalhas caídas no colo da velha que doba as linhas
[porque o pano retalhado desfiou - no chão onde chaparros desfloram amendoeiras enganadas].
E lá, alguidares perdidos no gasto galho seco gelado;
De neve imberbe, camareiro;
Olhos vendados; cheiros ríspidos;
Desertos vastos de xailes que não chegam a afagar-te.
Vagabundos mundos!
Riscas listradas de saliência tardia.
E o sardo pasmo das bocas amolecidas de bagaço;
Hálito telúrico, onde jazem incertos peregrinos de poeira sem rasto;
Pó (como um copo estilhaçado que volta a sê-lo). E pode, porém!
Sardos pasmos mais uma vez. Do rasgo sadio. Desmazelado entre miasmas secretos. Como bastasse.
Folhas secas que rangem ao chão. Em úlceras viscerais estremecidas,
Em orgástico sentido. Lá, onde as mulheres parem retrógadas ilusões.
Ásperas confissões do mundo por ver.
Sardos pasmos assim lépidos, mofados de maduros caroços comidos [trincados com gasta sensação, em espera demorada pela saliva de relevo].
Agora penetra. Esquece trémulas canduras deificadas, como a língua que roça o luar,
Sem poder deixar de fazê-lo.
terça-feira, novembro 21, 2006

Não se sabe por onde se escondem os segredos de Koop; ou porque fica frio no silêncio, onde se sentam. A verdade fica sempre lá, serenada na melodia. Ou no baixo subtil; esquecido num qualquer som de gaivotas. Se é swing? Escondido! Um jazz sentado à beira-mar. Bem vincado num barco que junta a ténue cadência do saxofone, traída por uma trompete; e depois silenciado por uma primavera precoce do xilofone que procura por si e depois olha para trás sem ver. É que não tem nada a perder, mesmo!Bateria ligeira; sons de baques, em mistura com aquele sedutor jazz solitário.
Koop Islands
Released: 2006-10-04
Record number: GRÅ C-6
Label: Superstudio
terça-feira, novembro 14, 2006
segunda-feira, novembro 06, 2006
quarta-feira, outubro 25, 2006
Reparem! a ponta daquele dedo está inerte. Suspenso. A janela chia – as dobradiças pendem! Podia chover. Nevar. Ou aquele vento podia ranger os dentes de apressado, revolto [ou assobiar por entre as árvores despidas e já despojadas de outra sensualidade]. Duas da manhã [ou da tarde em qualquer parte do mundo]. O céu move-se. O tempo deleita-se com as névoas do suspiro. Podia chover sim! E soar nos ouvidos o gotejante líquido que toca as frinchas [e escorregar depois, com breve esfregar na madeira; ou aço; ou ferro; ou parede fingida de ternas (seriam?) madrugadas, agora escorreitas na manhã de Inverno – ou noite; quase a roçar o dia. Quase tudo! Ou tarde malograda, com odor a Outono, ou Verão; ou Inverno tardio que se demora nos poros da respiração [ofegante da intuição!]. E que depois se enterra nas entranhas das mãos agarradas ao, ainda, ar saturado do tilintar das vozes urbanas [e porque não poderiam ser outras; casual?]. Estridentes, meu amigo! Sonantes nos baús da farinha daquela casa.
Agora a Maria chora. Veste a camisola mal passada. Gruda-se nela, como a extensão daquela casa velha, abandonada - mais uma vez - onde a lareira sussurra as achas mal ardidas, como as palavras mal ditas [ se é que o que é dito, escrito falado, pode ser mudado – e magoam assim]. Está encorrilhada – aquela camisola cinzenta, parda- que não entende o que ouviu.
Podia ser que chovesse. E o céu lavasse aquelas vidraças plastificadas de lamentos do avô [que sempre os fez com o jeito do silêncio paternal, na quietude das ausências da casa]. Se chovesse podia ser que o tempo voltasse. Secasse as mãos enrugadas de alegria de terra revolvida – quente, saboreada de prazeres infinitos, inundada de folhas secas, estaladiças, sonoras, calmantes! [E mãos que rasgaram a terra, sulcando [violento] o ventre das raízes, salgando de tempo a poeira das ervas daninhas; e do prazer descompassado de cheiros de terra, humanos]. Suor salgado, amansado pela justeza da maturidade daquela candeia acessa ao fim do dia. Ele não se quebrou. A Maria já não chora. Cerziu a mágoa. Teceu um dia de cada vez naquele forno de promessas calejadas.
terça-feira, outubro 24, 2006
segunda-feira, outubro 23, 2006
sexta-feira, outubro 20, 2006
quinta-feira, outubro 19, 2006
Memória I

Os velhos gumes daquela casa abandonada
As verdes latrinas; lamacentas, fendidas ;
A salamandra oxidada
[e silenciada dos segredos corriqueiros; profundos depois]
como uma vela ardida até ao fim;
O suor da cera enrugada – parida mulher!
Como os dedos da velha enganada
[a traição aguça a agrura da pele]
E os pérfidos dedos com calos –
Do cerzir da agulha sob a palha fina da tua vida;
Ainda resta lá a cadeira partida;
Guardiã da luxúria derretida
Elouquecida pelos gemidos encobertos da palma da mão;
Ou o silêncio arcaico da nudez – novamente!
[Como se o nu fosse silencioso –
gritante na expressão e rasgado
No olhar de ver as formas fugidias da luz baixa- amarelada
E tragada como se nada fosse a primeira vez].
Não o era – pelo menos noutra vida
E a velha/outrora nova –
Disse-lhe com prazer que ainda sentia
As folhas secas que roçam
O Inverno daquele sol escondido pelas ventanas
De madeira rangente;
Deixa sair esta noite,
O desejo recalcado que enterraste;
Na mais leda raiz da madrugada.
terça-feira, outubro 17, 2006
segunda-feira, outubro 16, 2006
Esquecimentos Vorazes
Rastos de memória, em compassos nocturnos;
Podridão! Miséria serena!
Estrupos retalhados naquela praça castrada!
Esquecimento [e porque são eles que passam]
Não o tempo!
Negócio degradado!
Gramas corrompidas das vidas desregradas!
(o que é a regra ? – o sulco da ética e da linha imposta?)
Mergulhos sábios – e porque queda o sangue-
Espera!
Corta o sino que badala agora- Estridente!
Enche – sorve o copo vazio na liquidez severa!
É cru!
Nu e parco – exímio depois!
Esteiras – ladeiras históricas;
Sofrimentos entrópicos –
Abafados por ali;
Na cegueira da terra.
Na fotossíntese da renovação orgânica – hipérbole de vida?
Imperial – egoísta agora -
E indiferente!
É como se nunca mais me visse -
Um reflexo passageiro –
Castrado de perenidade – em guerra interior!
Conflito profundo – gestante de trópico exótico.
Em viver – queda ceremonial
Esquece-se a celebração da vida.
E como poderia?
Por VR
quarta-feira, outubro 11, 2006
terça-feira, outubro 10, 2006
terça-feira, outubro 03, 2006
A azáfama já não estremece
Já não melindra os passos apressados;
O burburinho já se percebe longe,
Na encosta daquela luz tímida que o silêncio absorve
Tão serena.
Quietude malandra. Adocicada e ébria.
Enternecida pelas causas comuns;
Ou os gestos palacianos da sagacidade ruim;
Do violento sopro da luxúria;
Dos gestos rebuscados;
Das expressões sedentas de lugares sem tema;
Balelas contorcidas;
Esquecidas em mentiras ternas;
Como a voz do vento fingido
Que me roça o cabelo e a calma.
Já soprei. Já embalei o sono da fome;
A justeza das palavras que ficam cá dentro e não saem
Para te abraçar, sem sorver o sonho
Apenas o instante do lance.
Aguerrdido. Estendido na fina memória .
Por VR
sexta-feira, setembro 15, 2006
quinta-feira, agosto 31, 2006
Exposição, IAB
Divulguem!
Participantes: Ana Cecília, Fábio Mattos, Regina, Alessandra, Vanessa
Participantes do workshop “Passeio fotográfico pelo Centro” em junho. 15 fotos vão para exposição no IAB Como resultado do workshop "Passeio Fotográfico pelo Centro" realizado no final de junho, a Associação Viva o Centro e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) realizam exposição com as melhores fotos da caminhada. A mostra abre na próxima segunda-feira (11/9), às 18h, na sede do IAB, com a mesa redonda "Fotografia, Arquitetura e Paisagem. Um percurso pelo Centro de São Paulo".
http://www.vivaocentro.org.br/noticias/arquivo/290806_a_infonline.htm
http://www.vivaocentro.org.br/hp.htm
Onde:
Instituto de Arquitetos do Brasil
Rua Bento Freitas, 306, 4o. andar 01220-000 - São Paulo - SP (11) 3259-6866 (República) http://www.apontador.com.br/bussola/mapaj.php?flag=1
terça-feira, agosto 29, 2006
segunda-feira, agosto 28, 2006
Traços calejados por um gesto cerzido
[de estranhas memórias, castradas de tempo;
e volveres de prazer sensível – talvez demasiado]
como o seu;
o tardio relento do círculo da lua;
saliva doce; amargada depois;
cinzel que molda o corpo violento;
e as tradições sobranceiras [da inveja; da mágoa
e incerteza voraz que hesita];
Seria o bafo de insónia – delicioso assim mesmo!
Seria o espelho baço de humidade de corpos?
Ou assim incenso generoso que se rasga;
[usado pelo ar oxigenado de saliências silenciosas];
nessa calma que adora;
em linguagem sensível de abecedário por cunhar;
no sorriso pessoal, satisfeito por ninguém entender
[ou sequer perguntar];
sim a estranheza; tal como se é!
o cinismo que percorre aquela casa vazia
[a de que falei];
as velas saturadas que ardem até ao fim
[como o livro daquela conversa de amigos];
e o dia estende-se às horas perdidas [inacreditáveis depois];
as horas que passaram por extensão das texturas por sentir;
a saudade e a a falta agora do olhar sussurrado;
e que supor um ensaio seria inusitado;
enche-me assim esse copo vazio;
sem segundos modestos ou apagados vizinhos;
descansa de uma vez no braço selado;
e pede-lhe de novo aquele abraço prolongado.
Por VR
sexta-feira, agosto 18, 2006
quinta-feira, agosto 17, 2006
sexta-feira, julho 21, 2006
Constrangimento convalescido!
De pensamento inebriado de indecisão e postura indelicada por nada.
Talvez aquilo? O olhar no escuro?
Ou outro tempo?
Aquele que sorria mais estreito,
Eufórico! Impressão?
O respirar suspirado parecia chorar. Não!
Tombava inquieto. Pueril! Habituado! Súbito! Normal!
E em que deslizaste? O que te fez hesitar?
Foi o constrangimento seduzido,
Recatado, assim daquela forma discreta e neutra. Rude!
Como o rosto passadiço da rua, que nem vês por vezes!
Não sei! E porque não perguntaste?
De indiferença.
Palavras cortadas. Nas entrelinhas, que não entendo.
Pela distância. Proximidade simultânea. Erro!
Via de dúvida desvanecida naquele tempo.
O que virá! Pela partida!
Porque já não restará dúvida. Então!
terça-feira, julho 18, 2006

sexta-feira, julho 07, 2006
terça-feira, junho 27, 2006
segunda-feira, junho 26, 2006
Sentir Urbano
quinta-feira, junho 22, 2006
segunda-feira, junho 19, 2006
O Silêncio Nómada
sexta-feira, junho 09, 2006
terça-feira, junho 06, 2006
Espião do Reino
Guarda o caderno de elástico gasto no bolso da jaqueta rasgada. Quando o abre, o bafo a sepia sorve o oxigénio de um fôlego. O cheiro é marítimo. Salgado.
segunda-feira, junho 05, 2006
sábado, junho 03, 2006
terça-feira, maio 30, 2006
Em Timor-Leste
Lamento o recrudescimento da violência, da insegurança e da instabilidade. Custa-me crer que a jovem democracia esteja doente. Acreditei muito nesta paz. (Acredito, ainda, apesar de desiludida!) Haverá muitas dívidas a pagar nessa sofreguidão e superficialidade política. Neste jogo de interesses mesquinhos que não entendo e desconheço, em rigor. Amargura-me mais uma vez pensar no inferno de quem nada tem a ver com a crise e mais sofre. Muitas vezes irreversivelmente.
segunda-feira, maio 29, 2006
Não digas Nada
"Não digas Nada" de Tiago Torres da Silva
Com:
Maria Teresa
Helder Magalhães
Encenação:
José Matos Silva
Cenografia:
César Filipe Costa
Técnica de luz e som:
Rita Fernandes
Adereços:
Dulce Amieira
8, 9 e 10 de Junho (21h45)
Auditório Horácio Marçal
Junta de Freguesia de Paranhos,
Rua de Álvaro Castelões, 811
Porto, Portugal
quinta-feira, maio 25, 2006
Das manhãs incertas que vagueiam na encosta de luminância
Perdidas e irisadas de ventos vagabundos;
Do sabor silencioso que entra cá dentro;
Do toque diáfano que aconchega a caminhada;
E do tempo?
Do impasse e avanço corrido
Que pára; tropeça; soçobra,
E depois se ergue forte;
Do sorriso emancipado do pensamento;
Da ternura invisível que se deixa tombar;
Do progresso inusitado e estridente que sente ao passar.
quarta-feira, maio 24, 2006
Rosto Invisível
terça-feira, maio 23, 2006
Divã de Insónia I
As mãos estão agora enrugadas. O frio passa pelas frinchas das portadas de madeira. Range. Assobia como nos contos de infância. Profere vozes lindas. E a memória surge-lhe como bela. Expressamente bela! Reclina-se na filosofia do sono. Adormece. Enquanto o vento, lá fora, estonteia as árvores outonais e revolve as águas do lago sereno.
terça-feira, maio 09, 2006
É quando prefiro o silêncio da música
Que me reclino nas palavras que vadiam cá dentro;
Nas misérias fantasma que me assolam o sentimento;
No calmante trago que o vinho deixa com a saliva.
E o frutado álcool que estonteia e liberta.
É aí que percebo o lirismo do sonho;
A conquista desenfreada que me impele a suportar,
Que me justifica os caminhos como ténues atalhos;
Trilhos com rumo, e desprovido de ilusões.
Danço na pedra vazia, bem longe de todos.
Rio-me da felicidade. Do sentimento bom.
Da vibração incomum da flor da calçada.
Da luz do equinócio que me deixa respirar - finalmente!
E lá que sou feliz.
No mundo saboreado e de texturas diárias.
Onde aprendo sempre, a ver um som.
A imaginar uma cor.
Outra e mais outra!
Talvez sejam muitas. Como as palavras.
É nessa sede de saber.
Nessa consciência incessante de que o ciclo é curto
Na inconfidente pureza. Que sou feliz.
No silêncio da música de quem vê um som.
O percebe. E a ele se estende.
Como essa neblina que me afaga o rosto.
Que me reclina absoluto na poltrona viva da vida.
Nessa tela colorida.
Nesse cenário singular,
Onde pinto a preto e branco as cores de todo o mundo.
As gradações estonteantes das emoções;
escondidas pela expressividade do rosto,
a querença sólida de outra manhã assim.
quinta-feira, maio 04, 2006
Para lá, infinito!
A azáfama já não estremece;
Já não melindra os passos apressados;
O burburinho já se percebe longe,
Na encosta daquela luz tímida que o silêncio absorve
Tão serena.
Quietude malandra. Adocicada e ébria.
Enternecida pelas causas comuns;
Ou os gestos palacianos da sagacidade ruim;
Do violento sopro da luxúria;
Dos gestos rebuscados;
Das expressões sedentas de lugares sem tema;
Balelas contorcidas;
Esquecidas em mentiras ternas;
Como a voz do vento fingido
Que me roça o cabelo e a calma.
Já soprei. Já embalei o sono da fome;
A justeza das palavras que ficam cá dentro e não saem
Para te abraçar, sem sorver o sonho
Apenas o instante do lance.
Aguerrido.
Estendido na fina memória .
segunda-feira, abril 17, 2006
quarta-feira, abril 12, 2006
Mãos Silenciosas
Que aquecem o esquecimento do passado.
E que o sobreposto relevo dos traços
São os caminhos esquecidos
Das linhas tortas –
Tracejadas por amargas cúpulas de pétalas - e
Folhas rugosas.
Verdes e envelhecidas,
Como o grisalho do teu cabelo vivido;
E a robustez silenciosa,
Escondida na grandeza do teu sentir;
E a sensibilidade do teu pensar.
Do teu querer.
Do teu silencioso e terno olhar,
Antes de adormecer a saudade;
E o abraço esperado, ansiando recompensa paternal
Desprendida.
Liberta e um pouco embevecida.
Inquieta de novas para criar outras raízes perdidas,
Soltas para outras sementes.
Ansiante de as lançar,
Despojadas, sofridas,
Mas mesmo assim despojadas de amarras;
Presas apenas pelo sentimento indeclinável
De me querer amar.
(Poema feito para o meu pai, dia 3 de Abril)
quinta-feira, abril 06, 2006
quarta-feira, abril 05, 2006
Vulgaridades
terça-feira, abril 04, 2006
As motivações da alma
quinta-feira, março 30, 2006
-A Igreja do Diabo-
quarta-feira, março 29, 2006
"O som dos sapatos" (João Afonso)
numa insónia não vencida
seguir sozinho uma ideia
os lugares da tua vida
Na penumbra a luz dum verso
que deixou de ter sentido
dominó, enciclopédia
horas de um tempo perdido
A tua mão a passear
tomba o aparo, gesto de espera
ventos de guerra,
dado a rolar ecos dispersos ,"Rosas de Ermera"
O homem que passa subiu a montanha
caminha sem pressa, sem santo nem senha
o som dos sapatos, a linha da vida
a cor do tinteiro, derrama a saída
A noite já desceu à terra
no seu ventre se enrolou
pousou na melancolia
de um dia que já passou
Já te disse o que não digo
numa verdade mentira
há um som breve que vive
numa palavra que gira
Composição: João Afonso Lima
(http://joao-afonso.letras.terra.com.br/letras/490603/)
Dias de Chuva
sexta-feira, março 24, 2006
"Na Inglaterra, hábito é de não trocar cueca" (quê?)
quinta-feira, março 23, 2006
A cidade em progresso
Partiu para o futuro
Entre semoventes abstratos
Transpondo na manhã o imarcescível muro
Da manhã na asa dos DC-4s
Comeu colinas, comeu templos, comeu mar
Fez-se empreiteira de pombais
De onde se vêem partir e para onde se vêem voltar
Pombas paraestatais.
Alargou os quadris na gravidez urbana
Teve desejos de cúmulos
Viu se povoarem seus latifúndios em Copacabana
De casa, e logo além, de túmulos.
E sorriu, apesar da arquitetura teutaD
o bélico Ministério
Como quem diz: Eu só sou a hermeneuta
Dos códices do mistério...
E com uma indignação quem sabe prematura
Fez erigir do chão
Os ritmos da superestrutura
De Lúcio, Niemeyer e Leão.
E estendeu ao sol as longas panturrilhas
De entontecente cor
Vendo o vento eriçar a epiderme das ilhas
Filhas do Governador.
Não cresceu? Cresceu muito! Em grandeza e miséria
Em graça e disenteria
Deu franquia especial à doença venérea
E à alta quinquilharia.
Tornou-se grande, sórdida, ó cidade
Do meu amor maior!
Deixa-me amar-te assim, na claridade
Vibrante de calor!
Vinicius de Moraes
quarta-feira, março 22, 2006
terça-feira, março 21, 2006
-Biscates I-
sexta-feira, março 10, 2006
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
domingo, fevereiro 19, 2006
Passam cigarras, no caminho aflitivo de terra vermelha que ele esqueceu.
Passam fios de luz nas portas velhas do casarão altivo, que lá longe o pó corrói.
Rompem-se as correntes do portão estanhado.
Estilhaçam-se os vidros frágeis com o roçar do vento nas frinchas debilitadas.
Quebra-se o brasão. Ardem as folhas. Secam as árvores.
Resta-lhe o jardim sombrio; assombrado pela memória do sonho que perdeu.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
A longevidade da Justiça
Manuel Fonseca, 123 anos.
João Almeida, 632 anos.
Marília José, 345 anos.
Ana Pais, 123 anos.
Frequentemente vejo nas notícias (sobretudo brasileiras) as sentenças atribuídas. Com centenas de anos a reboque. Este acumular de anos de condenação faz aumentar o tempo de cativeiro.
Será que o cárcere é o elixir da imortalidade?
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Perdas materiais!
domingo, fevereiro 12, 2006
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
A imagem do Garcia
Crónica de um mal-entendido
"Não há problema. Tudo bem".
E quando assim se fala não há nada por explicar. Não há mais nada a acrescentar. Mas na hora de pôr em prática o entendimento, tropeça-se nas palavras.
E não havia mais nada a explicar. O erro foi de quem explicou e não de quem não percebeu. Fui eu que expliquei. Desfiz o mal-entendido (desfiz?). Mas rompe-se sempre a conversa. Desgasta-se as palavras.
As tentativas de explicação (vezes repetidas). Um meandro de dinheiro. Uma pequena coisa. Um nada sem realce. Mas o desgaste lá ficou. O mal-entendido perdurou. Deixou marcas. Queima a vontade e a legitimidade. Talvez rompa com a ligação. Lá ficou.
Explica-se. Reformula-se a explicação. Tornamo-nos chatos. A pessoa não se lembra. Diz que não foi isso que entendeu. Mas anuiu. Disse que sim. Riu-se. Estendeu a conversa para além do necessário. Isso significou que tudo ficou claro. Mas não.
E porque não falávamos na altura do mesmo? Onde estava o descodificador da compreensão além das palavras? Um erro de entoação? Problema com a justeza das palavras. Do certo e do incerto? De tudo e de nada? De mim e de ti? Do valor de um mal-entendido? Do peso de um tropeção?
sábado, fevereiro 04, 2006
Pela continuidade do dia
Para quê esperar que a escuridão adormeça. Passe. Porque não a continuidade do dia?
domingo, janeiro 29, 2006
sábado, janeiro 28, 2006
quarta-feira, janeiro 25, 2006
[-Uma fenda nas horas rendidas-]
terça-feira, janeiro 10, 2006
Pedaços do Tempo
Ocupamos pedaços do tempo a fazer o que mais gostamos. Usamos grande parte dele a fazer o que nos é possível para sobreviver, de resto. Quem disse que a profissão é aquilo que fazemos em tempo completo; restituídos de um bem pecuniário? É esse paradoxo que nos preenche e simultaneamente nos oprime. Mas é ele que me faz feliz.