quinta-feira, dezembro 06, 2007

palavras da minha terra



Quando entramos na vida...dos outros, não há retorno para a vida sem eles. Reinventamos os caminhos que nos levaram até lá. Protegemo-los, até que a morte nos separe. Uma lição sobre nós!

sábado, dezembro 01, 2007

Curiosidades

Enquanto o mundo cai aos pedaços, há ainda uma parte do mundo que se regozija com os pedaços dos outros. O nosso Portugal, por exemplo. Mas antes o contexto: enquanto Chávez prega a ditadura em cada gesto (só no último mês mudou a Constituição, reformou a educação com manuais ainda mais "vermelhos", criou um Instituto de cinema e propaganda, ...- e nisto não é preciso ser-se um especialista em política latino-americana para ler nas entrelinhas); Bin Laden pede à Europa para deixar de ser aliada dos EUA (uma vez o poder nunca a subserviência); o povo boliviano agoniza com violência, crise e miséria; milhares agonizam em catástrofes naturais, crises humanitárias,....(para saber o resto basta fazer "copiar" e "colar" num jornal perto de si)...Bom: e enquanto isso temos uns senhores a brincar a gente grande, mais uma vez, na cadeira do poder camarário- desta feita de Lisboa: um dança e balança, antes que rebolem cabeças. Claro, se o mundo fosse senhor de si mesmo, esta não seria, por acaso uma prioridade: façam-nos um favor e passem a usar chupeta. A ver se se lhes corta o pio e o arrepio. Sem birras!
[Curioso: o "chupeta" era o apelido do Barão do narcotráfico da Colômbia, preso há três meses no Brasil. Prioridades!]

sexta-feira, novembro 30, 2007

Esquizofrenias...colectivas!

Abrir um site de notícias pode ser das experiências mais esquizofrénicas possíveis, mas também das mais democráticas. Eu explico: passar o cursor pelas manchetes, nunca conseguir ler a notícia até ao fim, porque há ainda muito para ler e o mundo está a acontecer mais rápido que um "inspira" e "expira";saltar da edição de economia para a cultura, da cultura para a sociedade; voltar à economia, ler o internacional, voltar à cultura e mais um, e outro jornal, e mais outro e a rádio, e os videos... Ok, chega! Já sabemos tudo e não sabemos nada. De resto, em que outro lugar do mundo Evo Morales apareceria do lado de Hillary Clinton, com Hugo Chávez na coluna do lado, Brad Pitt na foto em baixo com a sua Jolie? É que o pluralismo actual resume-se a isto: palavra de honra, sem esquizofrenias!

terça-feira, novembro 27, 2007



sexta-feira, novembro 16, 2007




Quase senti os cheiros daquelas calçadas transpirantes de histórias. Quase me senti perto do "zumzum" que bate na luz de Lisboa. Se fechar os olhos estou lá. Isto para alguém como eu, que tem o Atlântico a separar-me da minha terra!
De resto, para quem não conhece Lisboa, Wim Wenders usou e abusou das riquezas dos sons, das gentes e da luz para que aconteça o inevitável: apaixonarmo-nos por ela, numa lição sobre cinema em três actos!

quinta-feira, novembro 08, 2007




Em valsa lenta, como nos habituamos a tudo! Até à vida, antes que seja tarde demais para nos viciarmos nela!Sessão madrugada, com participação especial da Lua, antes que o sol nasça!

sábado, novembro 03, 2007

sexta-feira, novembro 02, 2007

Julio Medem, 3X

Sessão tripla. Somos infinitamente incapazes de amar o tempo. E absolutamente perecíveis às costuras circulares da agulha da vida, que nos doba em pontos pequeninos. E somos bem pequeninos. Julio Medem entende o tempo, o sexo, as relações humanas e passa pelas cabeças pequenas de todas as agulhas que cosem em pontos de cruz.DE cima para baixo. De um lado para o outro. Enovelados! Fazendo e desfazendo, para nada ser como era. Nem os círculos. Nem o bis! Nem mesmo se os revirmos! Revi a Lucía; revi-me na "CaóticAna" e nos pedaços de neve de uma Finlândia, onde já estive, com os "Amantes do Círculo Polar". De ontem para hoje.



domingo, outubro 28, 2007

Valsa da Chuva

Gosto do escorregar das gotas nas janelas,
Dos reflexos improvisados,
Dos óculos embaciados, salpicados!
Gosto das gentes que correm, fintando as lágrimas do céu;
Do esvoaçar das folhas molhadas,
Dos cabelos escorridos,
Do bafo húmido das roupas de algodão, permeáveis!
Gosto das ruas solitárias,
Dos sons chap chap,
Dos versos irrepetíveis por enxugar,
De serpentear as ruas por um lugar seco, inalcançável!
Da violência dos riachos que alagam os passeios,
De me sentir em casa com um banho molhado.
E só a chuva lava o que os olhos não vêem!

quarta-feira, outubro 24, 2007

Almas



Foto por vnrodrigues

quarta-feira, setembro 12, 2007

sexta-feira, setembro 07, 2007

Hoje pensei que podíamos plantar cerejas na areia do mar,
mas depois lembrei-me que as estrelas ficariam com inveja
e as comeriam antes do nascer do sol: o mesmo dali, antes da próxima
preia-mar.
Hoje veio e tu não estavas lá!Levaste as cerejas que não plantámos;
E não deixaste sequer as estrelas que imaginámos!

quinta-feira, setembro 06, 2007

Estou melhor com as imagens do que com as palavras. Preciso reconciliar-me com elas!

fotos vnrodrigues

terça-feira, agosto 07, 2007

Costela Alentejana

Apesar de não ter nascido lá, quem me conhece sabe que tenho uma costela...pelo vinho, claro! E as últimas imagens deste blog não escondem a minha paixão por terras de vales e gentes de olhar tranquilo.
Um site que reúne o património do nosso Alentejo, para ver e ouvir aqui

quarta-feira, agosto 01, 2007

foto.grafia vnrodrigues

segunda-feira, julho 23, 2007

Às portas de Mértola

foto.grafias vnrodrigues

quinta-feira, julho 12, 2007

Se ainda por agora…


Revolta incerta ao mundo interior
[numa viagem casual ao corpo da memória]

texto e foto vnrodrigues

Os pés arrastam-se nas escadas. A meia-luz. Ou ainda a contraluz da rua sem sorrisos. A porta range – e abafa, por momentos, os pensamentos dela, meus, teus, nossos... A dobradiça tremelica. Deixa-a para trás. A luz da entrada mergulha num corredor escuro. Ténue! Tal como ela, percorre-o, incerta. O corpo cede ao peso da memória daqueles cheiros. [Ainda bafo mal dormido; ou orvalho matutino] E o peso carrega o corpo, injustificado de ideias alheias – ou ainda as dela. Respira! [Podíamos ainda hoje, trocar uns pensamentos sobre o assunto. Ao espelho?].

Arrasta-se! Quando olha para trás a porta ainda não (se) fechou. E pede à sombra que a afague, enquanto faz a porta chiar – como se apagasse a luz da rua sem sorrisos (que antes a abraçava num longo encantamento; que antes a irritava [como se o abrir e fechar fosse um desabafo atropelado de quem não sabe o que quer: "num-chegaste-e-já-vais" [é como se nunca tivesses ido]; incerto). Mas não é tristeza que carrega: aborrecimento. Revolta cabal – que ainda não pôs para dormir. Um leve calmante. A terapia da camisola de casa, como se se despisse para o mundo e se vestisse para a gala interior; a dela ainda – ou de quem ainda não conhecemos. É ela. Nós… somos ela!

Quer esconder-se. Sentar, dormir, deitar…Sentir! Constrange-se como uma criança que não sabe berrar; gritar. O brilho fosco do olhar. E ela só não queria voltar ao vazio da casa. [Um pensamento?] Ao eco sem sorrisos; ao ranger de portas sem passos apressados; ou ruídos de calçada; gargalhadas parvas, simplesmente sinceras. Nada, por ainda, agora! Só depois. Hoje não prefere o silêncio. Se ainda por agora, ela chegasse. [A luz?; a primavera?; a singela certeza?; amargura?; proeza de viver?]
Abre a janela. Quer já deixar o dia chegar ao bafo do mundo interior – ou aquele; ou o dela. Nunca sabemos!

As persianas gritam de arrelia. Arrepiam-se, irritadas. Atiçadas. O corpo na janela. A luz no corpo. Matéria no corpo. Rasguem tudo e não deixem nada [Gritem, pelo amor de deus!]. As memórias – aborrecidas. "O mundo ali é bem mais claro que aqui!". Suspira! Toca o peito como a afagar um pensamento. Sorri! "Afinal o mundo aqui é bem mais claro que por lá"! E ao espelho: toca-o. A mímica justa; ridícula das valsas triunfais do contemplar. E a revolta cabal que ainda não deitou para dormir. Olha-se! O corpo pálido quer cor. Quer volume e sorrisos; gargalhadas coloridas – que teimamos esconder! Somos nós! Estamos dentro de nós. Sem tempo linear!

As mãos revoltam-se. Punhos cerrados. Gestos rápidos - negros… Argghhhh! Só ela. Roça as mãos no mapa corporal. Espalham-se no corpo; como luz no corpo e matéria no corpo. O negro desliza [vermelho?]; enrijece os músculos; o rosto desfigura-se: tribal! Ombros; barriga; pernas. Quer se esconder? Refugiar num espelho que nada mostra e tudo vê.

[Será que ainda, por agora, ela mudou?]. E ela ainda se quer guardar. Dela; da imagem que vê. Não ela; não és tu; não sou eu; não somos nós. Nada! Sorri! Como sempre num assomo triunfal; tribal! Os lençóis manchados: e a matéria no corpo; como corpo na cor! Lençóis manchados que querem o corpo; e o corpo quer o manto da cama – para se encolher. E adormecer: como se ainda, por agora, fosse embalar o motim abafado. [Queres um cigarro?].

A porta abre-se. Não é ela. Pode ser. As costas nuas. Vazias. Não manchadas. Nem lençóis enrodilhados. Ela vai. Despede-se. O fumo deixa rasto para trás! Podemos ser: eu, tu, ela, nós! Será ainda, esta noite, que de manhã sai por agora? A mesma luz. A contraluz. A névoa que não vimos – nem sabemos. A porta que rangia, à revelia! E agora se abre. Ela vai; de costas voltadas. Sai, lentamente. Porque dela não precisa mais. Pôs a revolta para dormir. E depois do motim, já se sabe, que o despertar é um meio princípio de riso – como se voássemos cá para fora, de uma janela interior já certa de um "se- ainda- por- agora" – como corpo no corpo e matéria na memória!

quarta-feira, julho 11, 2007

foto.grafia vnrodrigues

segunda-feira, junho 25, 2007

mértola, ainda

foto.grafia vnrodrigues

quarta-feira, junho 20, 2007

mértola

foto.grafia vnrodrigues

quinta-feira, maio 31, 2007

foto.grafia vnrodrigues

terça-feira, maio 29, 2007

Zoom IN#1

Fotógrafos contemporâneos...
P
erspectivas


Não sei se são sonhos. Podem ser! Não sei se é real. [Não interessa!] (Um mundo qualquer à espera de nós; ou de ninguém: inabitado por natureza - ou só sombras!). Pode até ser que seja o que ele vê. (É sempre!) E eu não. E porque não?: o que ele vê e mais ninguém. A realidade justa para ele, naquele instante; a realidade apreendida – adulterada, incerta para mim- sempre!

24 anos. Johann Ryno De Wet. África do Sul- Johannesburgo. E estas fotos têm qualquer coisa. E quando têm é bom sinal. Para ver, com olhos de ver!


para onde vais? ...vais?

foto.grafias vnrodrigues
foto.grafia vnrodrigues

Os quatros elementos como matéria em combusão num planeta próximo que podia ser de ogres (não o eram?)...

“Através do meu ofício, crio um mundo oposto ao mundo normal. A obra leva-me – e ao espectador comigo – para um outro tempo. À procura de ligações com o passado, entre as pessoas, e com o mundo da natureza. O fogo é um elemento essencial no meu trabalho. O fogo arde como um símbolo tangível da eternidade. Dou forma ao fogo, de modo diferente, para cada objecto plástico. Este trabalho provoca emoções, igualmente pela forma com que os materiais – uma combinação de ferro, de madeira e de pedras – são utilizados.”

(Wim Doedel, Companhia Doedel, Holanda- Festival Internacional de Teatro de Rua, Santa Maria da Feira)

sexta-feira, maio 25, 2007

foto.grafia vnrodrigues
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terça-feira, maio 22, 2007

janela...

Quando era pequena gostava de subir a este milheiral. Esconder-me dos primos, até que me encontrassem. Das birras, das arrelias. Perder-me nos cheiros das espigas; das batatas;cebolas; roupa lavada e madeira húmida depois das chuvas torrenciais.
Quando era pequena subia aqui para me esgueirar aos lá de baixo; e depois dizer que era mais alta que eles: os primos - mais velhos por sinal.
Desta vez subi aqui e quis ser pequena. Sou-o; e ainda bem! Senti os cheiros das criancices. Olhei o tio Zé de longe. E como sempre, sem que ninguém me visse, revirei o milheiral do avesso, mas desta sorte só com os meus olhos.

foto.grafia vnrodrigues

segunda-feira, maio 21, 2007

© foto.grafia vnrodrigues

domingo, maio 20, 2007

quarta-feira, maio 16, 2007

A velha rodopia baixinho.
Esfiapa os cabelos como novelos enrodilhados;
Desfia o xaile vermelho, já cansado dos Invernos. E bate na boca três vezes para expiar um pecado.

[E o sol lá fora que não aquece o pátio? E as colheres que caem na pedra fria? O panelão de ferro negro das fagulhas fumadas?]

Deixa o avô entrar com mãos ásperas. Arrasta os pés para dizer que chegou. Resmungar com a porta ferrugenta que mal consegue empurrar.

[Enquanto o sol se esconde no celeiro. E as colheres jazem no chão duro. E a água borbulha no amigo das centelhas].

A lenha comeu o tempo do almoço. As contas do rosário soltaram-se. Algumas estão na língua do velho labrador patudo! E já o avô beijou a avó. Nas mãos enrugadas que contam um terço imaginário!

[por vnrodrigues]

foto.grafia vnrodrigues

terça-feira, maio 15, 2007

detritos...

ensaio sobre o desperdício... e a falta de civismo de uma sociedade que ainda se acha civilizada...

foto.grafias vnrodrigues