sexta-feira, julho 07, 2006
terça-feira, junho 27, 2006
segunda-feira, junho 26, 2006
Sentir Urbano
quinta-feira, junho 22, 2006
segunda-feira, junho 19, 2006
O Silêncio Nómada
sexta-feira, junho 09, 2006
terça-feira, junho 06, 2006
Espião do Reino
Guarda o caderno de elástico gasto no bolso da jaqueta rasgada. Quando o abre, o bafo a sepia sorve o oxigénio de um fôlego. O cheiro é marítimo. Salgado.
segunda-feira, junho 05, 2006
sábado, junho 03, 2006
terça-feira, maio 30, 2006
Em Timor-Leste
Lamento o recrudescimento da violência, da insegurança e da instabilidade. Custa-me crer que a jovem democracia esteja doente. Acreditei muito nesta paz. (Acredito, ainda, apesar de desiludida!) Haverá muitas dívidas a pagar nessa sofreguidão e superficialidade política. Neste jogo de interesses mesquinhos que não entendo e desconheço, em rigor. Amargura-me mais uma vez pensar no inferno de quem nada tem a ver com a crise e mais sofre. Muitas vezes irreversivelmente.
segunda-feira, maio 29, 2006
Não digas Nada
"Não digas Nada" de Tiago Torres da Silva
Com:
Maria Teresa
Helder Magalhães
Encenação:
José Matos Silva
Cenografia:
César Filipe Costa
Técnica de luz e som:
Rita Fernandes
Adereços:
Dulce Amieira
8, 9 e 10 de Junho (21h45)
Auditório Horácio Marçal
Junta de Freguesia de Paranhos,
Rua de Álvaro Castelões, 811
Porto, Portugal
quinta-feira, maio 25, 2006
Das manhãs incertas que vagueiam na encosta de luminância
Perdidas e irisadas de ventos vagabundos;
Do sabor silencioso que entra cá dentro;
Do toque diáfano que aconchega a caminhada;
E do tempo?
Do impasse e avanço corrido
Que pára; tropeça; soçobra,
E depois se ergue forte;
Do sorriso emancipado do pensamento;
Da ternura invisível que se deixa tombar;
Do progresso inusitado e estridente que sente ao passar.
quarta-feira, maio 24, 2006
Rosto Invisível
terça-feira, maio 23, 2006
Divã de Insónia I
As mãos estão agora enrugadas. O frio passa pelas frinchas das portadas de madeira. Range. Assobia como nos contos de infância. Profere vozes lindas. E a memória surge-lhe como bela. Expressamente bela! Reclina-se na filosofia do sono. Adormece. Enquanto o vento, lá fora, estonteia as árvores outonais e revolve as águas do lago sereno.
terça-feira, maio 09, 2006
É quando prefiro o silêncio da música
Que me reclino nas palavras que vadiam cá dentro;
Nas misérias fantasma que me assolam o sentimento;
No calmante trago que o vinho deixa com a saliva.
E o frutado álcool que estonteia e liberta.
É aí que percebo o lirismo do sonho;
A conquista desenfreada que me impele a suportar,
Que me justifica os caminhos como ténues atalhos;
Trilhos com rumo, e desprovido de ilusões.
Danço na pedra vazia, bem longe de todos.
Rio-me da felicidade. Do sentimento bom.
Da vibração incomum da flor da calçada.
Da luz do equinócio que me deixa respirar - finalmente!
E lá que sou feliz.
No mundo saboreado e de texturas diárias.
Onde aprendo sempre, a ver um som.
A imaginar uma cor.
Outra e mais outra!
Talvez sejam muitas. Como as palavras.
É nessa sede de saber.
Nessa consciência incessante de que o ciclo é curto
Na inconfidente pureza. Que sou feliz.
No silêncio da música de quem vê um som.
O percebe. E a ele se estende.
Como essa neblina que me afaga o rosto.
Que me reclina absoluto na poltrona viva da vida.
Nessa tela colorida.
Nesse cenário singular,
Onde pinto a preto e branco as cores de todo o mundo.
As gradações estonteantes das emoções;
escondidas pela expressividade do rosto,
a querença sólida de outra manhã assim.
sexta-feira, maio 05, 2006
quinta-feira, maio 04, 2006
Para lá, infinito!
A azáfama já não estremece;
Já não melindra os passos apressados;
O burburinho já se percebe longe,
Na encosta daquela luz tímida que o silêncio absorve
Tão serena.
Quietude malandra. Adocicada e ébria.
Enternecida pelas causas comuns;
Ou os gestos palacianos da sagacidade ruim;
Do violento sopro da luxúria;
Dos gestos rebuscados;
Das expressões sedentas de lugares sem tema;
Balelas contorcidas;
Esquecidas em mentiras ternas;
Como a voz do vento fingido
Que me roça o cabelo e a calma.
Já soprei. Já embalei o sono da fome;
A justeza das palavras que ficam cá dentro e não saem
Para te abraçar, sem sorver o sonho
Apenas o instante do lance.
Aguerrido.
Estendido na fina memória .
segunda-feira, abril 17, 2006
quarta-feira, abril 12, 2006
Mãos Silenciosas
Que aquecem o esquecimento do passado.
E que o sobreposto relevo dos traços
São os caminhos esquecidos
Das linhas tortas –
Tracejadas por amargas cúpulas de pétalas - e
Folhas rugosas.
Verdes e envelhecidas,
Como o grisalho do teu cabelo vivido;
E a robustez silenciosa,
Escondida na grandeza do teu sentir;
E a sensibilidade do teu pensar.
Do teu querer.
Do teu silencioso e terno olhar,
Antes de adormecer a saudade;
E o abraço esperado, ansiando recompensa paternal
Desprendida.
Liberta e um pouco embevecida.
Inquieta de novas para criar outras raízes perdidas,
Soltas para outras sementes.
Ansiante de as lançar,
Despojadas, sofridas,
Mas mesmo assim despojadas de amarras;
Presas apenas pelo sentimento indeclinável
De me querer amar.
(Poema feito para o meu pai, dia 3 de Abril)
quinta-feira, abril 06, 2006
quarta-feira, abril 05, 2006
Vulgaridades
terça-feira, abril 04, 2006
As motivações da alma
quinta-feira, março 30, 2006
-A Igreja do Diabo-
quarta-feira, março 29, 2006
"O som dos sapatos" (João Afonso)
numa insónia não vencida
seguir sozinho uma ideia
os lugares da tua vida
Na penumbra a luz dum verso
que deixou de ter sentido
dominó, enciclopédia
horas de um tempo perdido
A tua mão a passear
tomba o aparo, gesto de espera
ventos de guerra,
dado a rolar ecos dispersos ,"Rosas de Ermera"
O homem que passa subiu a montanha
caminha sem pressa, sem santo nem senha
o som dos sapatos, a linha da vida
a cor do tinteiro, derrama a saída
A noite já desceu à terra
no seu ventre se enrolou
pousou na melancolia
de um dia que já passou
Já te disse o que não digo
numa verdade mentira
há um som breve que vive
numa palavra que gira
Composição: João Afonso Lima
(http://joao-afonso.letras.terra.com.br/letras/490603/)
Dias de Chuva
sexta-feira, março 24, 2006
"Na Inglaterra, hábito é de não trocar cueca" (quê?)
quinta-feira, março 23, 2006
A cidade em progresso
Partiu para o futuro
Entre semoventes abstratos
Transpondo na manhã o imarcescível muro
Da manhã na asa dos DC-4s
Comeu colinas, comeu templos, comeu mar
Fez-se empreiteira de pombais
De onde se vêem partir e para onde se vêem voltar
Pombas paraestatais.
Alargou os quadris na gravidez urbana
Teve desejos de cúmulos
Viu se povoarem seus latifúndios em Copacabana
De casa, e logo além, de túmulos.
E sorriu, apesar da arquitetura teutaD
o bélico Ministério
Como quem diz: Eu só sou a hermeneuta
Dos códices do mistério...
E com uma indignação quem sabe prematura
Fez erigir do chão
Os ritmos da superestrutura
De Lúcio, Niemeyer e Leão.
E estendeu ao sol as longas panturrilhas
De entontecente cor
Vendo o vento eriçar a epiderme das ilhas
Filhas do Governador.
Não cresceu? Cresceu muito! Em grandeza e miséria
Em graça e disenteria
Deu franquia especial à doença venérea
E à alta quinquilharia.
Tornou-se grande, sórdida, ó cidade
Do meu amor maior!
Deixa-me amar-te assim, na claridade
Vibrante de calor!
Vinicius de Moraes
quarta-feira, março 22, 2006
terça-feira, março 21, 2006
-Biscates I-
sexta-feira, março 10, 2006
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
domingo, fevereiro 19, 2006
Passam cigarras, no caminho aflitivo de terra vermelha que ele esqueceu.
Passam fios de luz nas portas velhas do casarão altivo, que lá longe o pó corrói.
Rompem-se as correntes do portão estanhado.
Estilhaçam-se os vidros frágeis com o roçar do vento nas frinchas debilitadas.
Quebra-se o brasão. Ardem as folhas. Secam as árvores.
Resta-lhe o jardim sombrio; assombrado pela memória do sonho que perdeu.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
A longevidade da Justiça
Manuel Fonseca, 123 anos.
João Almeida, 632 anos.
Marília José, 345 anos.
Ana Pais, 123 anos.
Frequentemente vejo nas notícias (sobretudo brasileiras) as sentenças atribuídas. Com centenas de anos a reboque. Este acumular de anos de condenação faz aumentar o tempo de cativeiro.
Será que o cárcere é o elixir da imortalidade?
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Perdas materiais!
domingo, fevereiro 12, 2006
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
A imagem do Garcia
Crónica de um mal-entendido
"Não há problema. Tudo bem".
E quando assim se fala não há nada por explicar. Não há mais nada a acrescentar. Mas na hora de pôr em prática o entendimento, tropeça-se nas palavras.
E não havia mais nada a explicar. O erro foi de quem explicou e não de quem não percebeu. Fui eu que expliquei. Desfiz o mal-entendido (desfiz?). Mas rompe-se sempre a conversa. Desgasta-se as palavras.
As tentativas de explicação (vezes repetidas). Um meandro de dinheiro. Uma pequena coisa. Um nada sem realce. Mas o desgaste lá ficou. O mal-entendido perdurou. Deixou marcas. Queima a vontade e a legitimidade. Talvez rompa com a ligação. Lá ficou.
Explica-se. Reformula-se a explicação. Tornamo-nos chatos. A pessoa não se lembra. Diz que não foi isso que entendeu. Mas anuiu. Disse que sim. Riu-se. Estendeu a conversa para além do necessário. Isso significou que tudo ficou claro. Mas não.
E porque não falávamos na altura do mesmo? Onde estava o descodificador da compreensão além das palavras? Um erro de entoação? Problema com a justeza das palavras. Do certo e do incerto? De tudo e de nada? De mim e de ti? Do valor de um mal-entendido? Do peso de um tropeção?
sábado, fevereiro 04, 2006
Pela continuidade do dia
Para quê esperar que a escuridão adormeça. Passe. Porque não a continuidade do dia?
domingo, janeiro 29, 2006
sábado, janeiro 28, 2006
quarta-feira, janeiro 25, 2006
[-Uma fenda nas horas rendidas-]
terça-feira, janeiro 10, 2006
Pedaços do Tempo
Ocupamos pedaços do tempo a fazer o que mais gostamos. Usamos grande parte dele a fazer o que nos é possível para sobreviver, de resto. Quem disse que a profissão é aquilo que fazemos em tempo completo; restituídos de um bem pecuniário? É esse paradoxo que nos preenche e simultaneamente nos oprime. Mas é ele que me faz feliz.
sábado, janeiro 07, 2006
-A Casa de Garret-
quinta-feira, janeiro 05, 2006
quarta-feira, janeiro 04, 2006
sexta-feira, dezembro 30, 2005
sexta-feira, dezembro 23, 2005
-Aquele debate televisivo-
E ali se perdeu a réstia de dignidade deste país. (Sim, eu ainda pensava que a tínhamos)!
sexta-feira, dezembro 09, 2005
sexta-feira, dezembro 02, 2005
Instante de Desejo
quarta-feira, novembro 30, 2005
A Esquizofrenia da Virtude
"Mas cara Virtude, para seres ainda mais virtuosa não há nada como um sono de beleza prolongado para não danificar as rugas do tempo e o cansaço da perfeição"- alegou a Preguiça.
Ora visto que o Tempo está cada vez mais moribundo, e o cansaço padece de Alzheimer (esquece-se frequentemente que se cansa!) a Virtude achou por bem dar ouvidos à Preguiça - que se apresentou naquele dia toda aperaltada de falsos fundamentos dissimuladores.
Assim, rendida às técnicas do marketing e do consumismo, a Virtude, julgando ficar mais formosa em intelecto, decidiu quedar-se em casa...
Ao cair da noite. E sem que nada acontecesse, ela explodiu em pranto, perante o riso cínico da Preguiça que, naquele dia, se dignara a visitar V.
Depois, decidiu ultrajar-se e demitiu-se do cargo "imortal" a que alguém, um dia, a incumbira. Talvez por isso a Virtude tenha deixado de dar notícias. Está num centro psiquiátrico há anos. Motivo? Sofre de esquizofrenia crónica...Bem crónica!
segunda-feira, novembro 28, 2005
Incompetência?
quarta-feira, novembro 23, 2005
terça-feira, novembro 15, 2005
domingo, novembro 13, 2005
-Dias ténues em compasso apressado-
sexta-feira, novembro 04, 2005
-Inquirições da Alma-
Mais queria ela saber das razões por que dom Rigolletto saira ornado nas suas melhores roupas, perfumado com aroma de jasmim e lenço alvo no bolsa da jaqueta, como quando saía para os bailes nobres dos Castelhanos del Sario - a casa ao lado do grande lago que premeia o jardim de Aurélia (a virgem).
Está claro (seria?) que podia tratar-se de um caso amoroso clandestino. Um vício entranhado que falava mais alto. Será que dom Rigolletto deixara as malhas do jogo apunhalá-lo pelas costas? Ou, então, Dom Rigolletto andava inclinado para negócios obscuros de tráfico de rapé; ou lenços de seda?
Mas ele estava mais que ornado. Não saira sem a sua máscara viril. O pó branco que lhe cobria a cara. A cabeleira barroca, branca, que lhe escondia o cabelo. O sinal petulante que lhe adornava os contornos do lábio. Dom Rigolletto saira aprumado. E isso, ninguém contesta. Nem dona Júlia. Que horas antes se deixara enternecer nos braços gentis e másculos do italiano emprestado. (Rigolletto não era o nome de família).
Mas afinal ele seria artista? Contrabandista? Poeta boémio de ilustres casas de meretrizes? Ela não sabia. Por isso prometia vigília certa para um interrogatório apertado, sem tréguas, nem piedade. Ela não tolerava a traição. Nem sequer imaginava desculpa plausível para tal escape ao anunciar da aurora.
Foi durante estas e outras divagações que a dobradiça da janela guinchou. E com ela eis o foragido da noite; que em pézinhos de lã, ensaiava uma entrada (triunfalmente silenciosa- tentava!) na sala por onde havia saído.
Dona Júlia aguardou o final do exercício de destreza do amado. Depois inundou a sala com a luz de dois candeeiros de petróleo, para mostrar a sua presença (fúria e desagrado). Pálido (o pó branco assim o queria) dom Rigolletto arregalou os olhos e depois perdeu-lhes o domínio e desatou num pranto desafinado, soltando graves e agudos, sem grande consideração pela harmonia musical. Confessou-lhe a tormenta. Afinal havia desculpa. Contou-lhe as perdições sentidas e as paixões da alma.
O inquérito durou mais de duas horas. A neurose estava confessada. E dona Júlia concedeu-lhe o desejo de sair todas as madrugadas, sem inquirições da alma.
terça-feira, novembro 01, 2005
-Le soirée eterne-
sexta-feira, outubro 28, 2005
- O tavão aniquilado-
quinta-feira, outubro 27, 2005
[-Uivar da Aurora-]
quarta-feira, outubro 26, 2005
- O alter ego do capitão-
Reza a mulher de contas negras, que a bela de saia branca e liga preta - farta em peles de peito e aprumada de pernas e ancas - não se deixou perder de amores pela frugalidade de um amor à capitão, que sem porto e guarida, vagueava itinerante pela rama, sem raízes. Mais conta a mulher de contas negras, sabida e envolta num véu rendado, que usava para esconder uma beleza casta, que a rapariga de saia branca se apaixonou por dom Liberto, o pescador, homem da terra e irmão do capitão.
segunda-feira, outubro 24, 2005
-Partida-
segunda-feira, outubro 17, 2005
- O quarto de Júpiter-
sexta-feira, outubro 14, 2005
-Nobel da Literatura-
sábado, outubro 08, 2005
Estou mais além da solidão constrangida,
Que se perde no rosto do juízo terminal. Sem fé.
Infinitamente só e irreal.
Estou para além das querelas fingidas.
Do jeito fugidio da lobrigada investida da crença.
São vozes que se perdem cá dentro,
No recesso manietado da intempérie das palavras.
Fundem-se em querelas vorazes, sujeitas à inflectida
Cadeira judicial do tempo inflexível.
Imperdoável ao desleixo tardio, pueril e esquecido.
Não interessa. Deixa-se para além da mais crua certeza fingida.
Da realidade que não sente. Não sabe, não conhece.
Como se esquece! Como se retira da vida com o sonho.
Com a indemnização tardia de um sopro de pensamento que outrora superava.
Meretriz voz que o arranca à raiz insaciável, altiva, soberba!
Casta lividez! Como se o manto que enrola a pele tivesse algo de novo!
Fluência! Parte soprada pelos ares vencidos, tolhidos pela imensa estupidez.
Quando dobo os queixumes sei que estou mais além.
Para lá do isolamento brutal da insipidez. Sentes?
@ copyright Vanessa Rodrigues
sexta-feira, outubro 07, 2005
-Os delfins foragidos-
segunda-feira, outubro 03, 2005
-Fabricadores de Sentimentos-
Enaltecido, deixou-se emaranhar no novelo fugidio (volátil, incerto, inseguro, voraz, silencioso) do murmúrio aflito do segundo passado (com medo de o agarrar).
Dessa vez sorveu, lânguidamente, a melancolia submersa da nuvem passageira (que transportava a carga simbólica do suspiro).
E agora por que sussurram os homens, se a neve deixou de ter a frieza natural, para se apresentar como uma vontade dos fabricadores do clima?
Ele anseia pela mutação sincera de um outro elemento, na forma sensível dos afectos. Ele anseia que os fabricadores de sentimentos surjam com urgência para que não tenha de sofrer as intempéries da condição humana.
quinta-feira, setembro 29, 2005
-"Propaganda silenciosa?"-
quarta-feira, setembro 28, 2005
segunda-feira, setembro 26, 2005
terça-feira, setembro 20, 2005
[Silêncio Infinito III]
Augura-se solidão perpétua conforme os ditames da esquálida voz que sai dos seus olhos.
É humano.
Deífico.
Talvez celeste, angelical;
Diáfano de gestos e sereno no respirar depois da vingança.
Delicioso prato frio que o sangue derramado acompanha.
sexta-feira, setembro 16, 2005
[Silêncio do Infinito II]
quarta-feira, setembro 14, 2005
terça-feira, setembro 13, 2005
[O silêncio do Infinito I]
Que repousam nas áureas asas do infinito;
E retorquem ao vento as frinchas da sorte,
num silêncio absoluto de serenas confissões.
É aí. Bem alto. Na alta esfera do pensamento que a lassidão se perde.
É justo ao clemente sinal da devassidão mortífera que ele se solta, numa anátema escondida para prender a morte.
sexta-feira, setembro 09, 2005
quarta-feira, setembro 07, 2005
O Juca deixou a Gigi no shopping com o aviso habitual: "Vai lá 'mor. Vê se não gastas muito dinheiro. Volto daqui a duas horas".'
A dona Cândida acabou as lides da sala mais cedo, porque dentro de minutos aquele espaço transformar-se-ia num santuário de homens, frente ao santo televisor.
O André faltou à aula de música, à aula de natação e foi-lhe desculpado não pôr a mesa. "Vá! Por hoje passa".
A Celeste recebeu beijos apressados. O namorado hoje não abusou da sorte. Não lhe pôs a mão nas pernas a pedir mais qualquer coisinha.
O Garcia fingiu uma enxaqueca forte, para poder sair mais cedo do trabalho (mais tarde viria a saber que os colegas foram dispensados para sair meia hora antes). Afinal era o santo futebol. Era a Selecção. Há que ter tolerância.
Pois é! Só é pena que Portugal não páre. Não se indigne. Não refute os resultados com os árbitros da política- da gestão do país, do rumo desnorteado- quando o tema é a calamidade dos incêndios. Nessa altura, Portugal vive a vidinha pacata. Não se exalta. Pena é que o mais importante não páre o país, por um minuto que seja.
terça-feira, setembro 06, 2005
domingo, setembro 04, 2005
quinta-feira, setembro 01, 2005
terça-feira, agosto 30, 2005
[Conversa do tempo]
sexta-feira, agosto 26, 2005
-Para esquecer-
terça-feira, agosto 16, 2005
-O fim do luar-
domingo, agosto 14, 2005
-Conto de outrora-
Rezingão, cabisbaixo e desalentado o Garcia disse, quase em surdina, que já tinha chegado a casa. Mas o tom de voz, nada audível, não chegara ao conhecimento da mulher que ficou toda a noite à espera de um marido que já estava em casa. O Garcia, esse, adormeceu no quarto degradado sem jantar. A mulher, a tal, saiu para casa da mãe, onde passou a noite em penitência por um casamento que nunca dera certo.
quinta-feira, agosto 11, 2005
O luto florestal
Custa-me pensar e constatar que só depois do roubo do fogo é que os portugueses resolvem comprar as fechaduras necessárias para travar esta desgraça. Não digo mais vale tarde que nunca porque esse argumento é inadmissível. Como é possível que nada tenha sido feito? Como é possível que ao fim de cinco anos o panorama das políticas de actuação relativas aos fogos não tenha mudado? Sim, esta estupidez calamitosa, funesta, podia ter sido evitada. Não venham com balelas e exercícios de retórica. Não me convencem de que era inevitável as florestas vestirem-se de luto este Verão. Afinal de que vale avisar? De que vale perder tempo com a diversão das cadeiras dançantes da política nacional? Meus senhores façam-me o favor de serem eficientes e, mais que isso, responsáveis pela situação actual. De que vale escrever cartas ao Governo? Advertir? A mim não me valeu de nada. Demito-me da participação política para expressar o meu desejo, mas apenas a minha consternação pelo egoísmo vigente.
quarta-feira, agosto 10, 2005
Mediocridade#1
Hoje foi assim: O ecrã mostrava a SIC Radical. Sim, aquele canal alternativo! Mas está visto que alternativo nunca foi sinónimo de pedagógico. Confesso que ainda aguentei - entre uma tarefa e outra no computador - uns dois minutos de emissão em directo de um programa do canal. O que aprendi? Parece que realmente não era para se aprender nada. (Talvez desaprender, inversamente!) Esses dois minutos foram gastos com os apresentadores a simularem um enxerto de porrada aos "cameramen" da emissão. A acompanhar, um som característico de onamatopeias de desenhos animados simulava as investidas de murros, pontapés, beliscões, etc. E assim passaram dois minutos de emissão ininterrupta de mediocridade. Potenciem-se outras cenas assim, multipliquem-se as dezenas de programas do género e temos mais que Portugal sentado a assistir a isto. Temos Portugal hipnotizado pelos pontos mágicos das ideologias ocas.
segunda-feira, agosto 08, 2005
Se o olhar espalhasse a verdade e se o fervilhar do corpo denunciasse a brandura que os gestos perdidos ensaiam ao entardecer, e tu não poderias sequer ousar responder com o silêncio. A sombra não delata. Os passos não caminham para justificar o pedido da mente em esquecer o caminho que trilharam. Ontem o manso caminhar dos dedos pelo teu corpo saliente, recolheram o travo amargado da doce impaciência do amanhecer. Talvez quisessem falar de silêncio numa língua paulatina que só o corpo compreende.
domingo, agosto 07, 2005
-A invasão dos bichos-
Os bichinhos fofos, nojentos, insinuantes povoam o espectro social da mesma forma como respiramos, andamos, dormimos. Fazem parte da onda "cool" e conquistaram o dia-a-dia de quem usa as ferramentas de Internet, novas tecnologias, publicidade.
Há um outro bicho nos "outdoors" da cidade: um outro sapo, com uma mescla transfigurada de ET para anunciar um cd qualquer. Há também um browser com o ícone de uma raposa; e uma infinidade de outras possibilidades que fazem deste quotidiano uma rede "zoológica" para tentar perceber, afinal, em que mundo é que vivemos! Que bicho seremos nós neste turbilhão?












