
quinta-feira, junho 05, 2008
quarta-feira, junho 04, 2008
terça-feira, junho 03, 2008
Breath, Kim Ki Duk
segunda-feira, junho 02, 2008
Vi este filme pela primeira vez há quatro anos. E não é por acaso que o Wong Kar Wai é dos meus realizadores favoritos. Por ser completo. Consegue juntar o melhor do cinema. E eu gosto dessa linguagem, quando a harmonia da música, da fotografia e da história alinham na mesma cadência. Opostos sem serem antagónicos. Sôfregos sem serem sufocantes! Sei que a poesia pode ser tudo e acho que há qualquer coisa nesta música, que pode ser isso! É das mais geniais que alguma vez ouvi.
Nunca gostei de cingir os gostos musicais a uma ideia de que seria "a música da minha vida". Se for para isso, tenho muitas, episodicamente! Cena-a-cena! Capítulo-a-capítulo. Do silêncio ao Mp4. Da arritmia ao sono! E ela é muito mais que isso para se poder avaliar, assim! Na verdade, nem sei o que isso significa. Mas sei que esta "Yumeji´s theme" do compositor Shigeru Umebayashi faz parte da minha vida, quase todos os dias. Sem fuso horário!
Nunca gostei de cingir os gostos musicais a uma ideia de que seria "a música da minha vida". Se for para isso, tenho muitas, episodicamente! Cena-a-cena! Capítulo-a-capítulo. Do silêncio ao Mp4. Da arritmia ao sono! E ela é muito mais que isso para se poder avaliar, assim! Na verdade, nem sei o que isso significa. Mas sei que esta "Yumeji´s theme" do compositor Shigeru Umebayashi faz parte da minha vida, quase todos os dias. Sem fuso horário!
Promiscuidades # Mesinha de cabeceira...
sexta-feira, maio 30, 2008
"Take me out", Franz Ferdinand!!!
Hoje sinto-me assim! Em frequência Franzzzz Ferdinand...Revisitando os senhores do rock alternativo da terra de saias...Cocktail de pós-punk, indie rock, art rock e pop...com uma cereja de new wave!Acho esta música genial!
quarta-feira, maio 28, 2008
terça-feira, maio 27, 2008
segunda-feira, maio 26, 2008
Venda-me os olhos. Guia-me devagarinho. Pode ser com o silêncio. Ou o rasar dos pés no chão. Descalça? Mais à direita. Segue. Está escuro. Mas há luz depois da venda. Menos do que quando fecho os olhos. Que deixa respirar às apalpadelas. No ar. Cheira a alecrim. Tombam pingas aceleradas. Água escorrida. Em ciclo. Folhas verdes. Flores doces. Cimento. Madeira velha. Madeira verde. Musgo. Fetos. Pedras. Granito. Perfume. Pele. O chão é mais sinuoso às cegas. Quantas vezes se ouve respirar? Vira o corpo à esquerda. 90 graus. Vai. Mais um pouco à direita. Cuidado. Pára. Inclina-se para a frente. À esquerda. Mais um passo à direita. Viraste demais! Pausa. Subiste o degrau. A inclinação. O declive do piso assimétrico. Um buraco. A calçada falha. O chão é duro. Agora mole. Pisaste a relva. É fofo! O pé procura conforto. Equilíbrio. Agora as mãos baixam. Só a voz. E o corpo que vai. E se rebolasse? Confias? De venda nos olhos? Sem luz. Só com o calor do sol a dar-te na cara. E nas mãos baixas. Não há sombra quando os olhos não vêem. Nem verde, nem água. Cheiro deles! Aromas em coquetel. Patos, na água, a debicarem. As asas a bater. A árvore tem rugas profundas. Fissuras finas. Perdes o equilíbrio em segundos. Sem vertigem! Os olhos não a distinguem! O ar está doce. Pode ser das flores que não sabes o nome. Caminha para trás. Quatro passos. Baixa-te. Como sabias que tinha um banco? Marcas de tempo. Tinta estalada. Cascas. Ouves o “craque”seco a cair. Áspero. Ainda não terminou. Ergue-te. Tendes a caminhar para a direita. Como podes saber em que direcção caminhas? E o chão tem declives que não percebes. De olhos desvendados. Passou uma mulher. Nunca um homem com aquele cheiro. Tem pó aqui. Uma placa. O pé desliza devagar nele. Sobe. Baixa. Não é por aí. Debruça o corpo mais à direita. Um passo mais ao lado. Agora tendes a virar à direita. Não tens linhas rectas. Ouves demais a minha voz. Vou-me afastar. Sem influências. Podes estar perto, mas não demasiado! Que mais sentes? O chão, sempre o chão. Declivoso. Mas os cheiros não se misturam. São por si só. Não percebi de olhos abertos. Há muitas que não percebes se não vendares os olhos. Não basta fechá-los. Tens de os pôr a dormir, para ver!
terça-feira, maio 06, 2008
Será que vertigem ao contrário tem menos efeitos secundários? Será que os efeitos secundários causam menos vertigens?
Gostas do rodopio das folhas. Do cheiro da chuva. Das palavras que não se dizem. Que te sussurrem ao ouvido como se fosse o último trago de vinho. Dos olhares que nunca mais vês porque não esperam nada de ti. Dos lábios em almofada. Do vento que te bate na cara, como se fosse a última carícia. Gostas das coisas simples que ninguém vê. E que aos olhos dos outros são assim tão complicadas. Tão sem significado. Gostas dos baús vazios para encheres de tralhas pequenas. E, afinal, és tão simples de preencher. E nunca ninguém chega lá! Como se te tivessem trancado num quarto, onde, de vez em quando, alguém entra pela janela sem cortinas. Pedem-te que a abras, como se não vissem que nada lá está. Porque ela está aberta.
Ainda esperas a vertigem? Ou a alucinação dos efeitos secundários?
Gostas do rodopio das folhas. Do cheiro da chuva. Das palavras que não se dizem. Que te sussurrem ao ouvido como se fosse o último trago de vinho. Dos olhares que nunca mais vês porque não esperam nada de ti. Dos lábios em almofada. Do vento que te bate na cara, como se fosse a última carícia. Gostas das coisas simples que ninguém vê. E que aos olhos dos outros são assim tão complicadas. Tão sem significado. Gostas dos baús vazios para encheres de tralhas pequenas. E, afinal, és tão simples de preencher. E nunca ninguém chega lá! Como se te tivessem trancado num quarto, onde, de vez em quando, alguém entra pela janela sem cortinas. Pedem-te que a abras, como se não vissem que nada lá está. Porque ela está aberta.
Ainda esperas a vertigem? Ou a alucinação dos efeitos secundários?
segunda-feira, abril 28, 2008
Um pouco mais!
Abres a porta como se o ar fosse acabar! Puff! Um instante: o telefone tocou! A campainha. Nunca ninguém te entende sopro meu! Falas como se quisesses fugir do vento! Querias que o mundo tivesse quanto tempo afinal? Há pedacinhos, assim, que nos esquecemos dele! Vamos fazê-lo parar, de novo? Como se faz? Abotoas o casaco, como te agasalhas da vida. Talvez devesses apanhar mais resfriados de quando em vez, para saberes que a febre pode ser um bom delírio. Ou que eu, ou que tu! Arrepias-te com este calor? Suor frio de medo... Como as rosas sem espinhos! Sem piada! Deixa o telefone! Já não escreves cartas! Nem lambes os selos com a saliva da ansiedade! Deixa-me entrar! Range a fechadura. Ainda estou lá dentro quando espreitas?
sexta-feira, abril 25, 2008
Saudade
Agora, sim, a saudade! Decorei este poema quando tinha 12 anos, para uma aula de português. A memória nunca o esqueceu e, uma vez que pensei nele, por causa da Helena Blavatsky, deu-me a saudade de o recordar: ali paradinha, em plena pré-adolescência, com o quadro de giz atrás e algumas dezenas de olhares centrados em mim e na minha timidez saiu a "Hora morta", tremidinha e, agora, tão actual como se fosse amanhã:
Fernando Pessoa
Hora Morta
Lenta e lenta a hora
Por mim dentro soa
(Alma que se ignora !)
Lenta e lenta e lenta,
Lenata e sonolenta
A lua se escoa...
Tudo tão inútil !
Tão como que doente
Tão divinamente
Fútil - ah, tão fútil
Sonho que se sente
De si próprio ausente...
Naufrágio ante o ocaso...
Hora de piedade...
Tudo é névoa e acaso
Hora oca e perdida,
Cinza de vivida
(Que Poente me invade?)
Porque lenta ante olha
Lenta em seu som,
Que sinto ignorar ?
Por que é que me gela
Meu próprio pensar
Em sonhar amar ?
Fernando Pessoa
Hora Morta
Lenta e lenta a hora
Por mim dentro soa
(Alma que se ignora !)
Lenta e lenta e lenta,
Lenata e sonolenta
A lua se escoa...
Tudo tão inútil !
Tão como que doente
Tão divinamente
Fútil - ah, tão fútil
Sonho que se sente
De si próprio ausente...
Naufrágio ante o ocaso...
Hora de piedade...
Tudo é névoa e acaso
Hora oca e perdida,
Cinza de vivida
(Que Poente me invade?)
Porque lenta ante olha
Lenta em seu som,
Que sinto ignorar ?
Por que é que me gela
Meu próprio pensar
Em sonhar amar ?
quinta-feira, abril 24, 2008
Meias luas
Espera ainda tenho sede!Dás-me vinho? Um pouco mais de luz, por favor! Podes apagar!A vela, deixaste a vela a derreter!O motor do carro ainda treme! Há gotas na janela!O vento geme as persianas!Fecha a porta! A cortina tirou-me a luz. Podias dormir cá hoje! A pele não tem cheiro de nada! Os lábios colam-se! Gelo…Já foste! Não dizes nada!Não sei se quero saber! Talvez não! Senti aquela dor no peito outra vez! Talvez tenha ar nas veias. Elas vão com ele! Senta-te aqui! Não te afundes tanto no sofá!Espera, que estás a ler? Podias escrever… Que cheiro tem a minha pele, afinal? Não sinto! Tenho borboletas a roçar-me o estômago! Abraça-me! Podias apagar a luz… Dói-me os olhos. Não consigo dormir! Ouço o motor! Chove de novo. Escorre! Diz! Abre-a! Se o sono chovesse! Adocicado… Não ia haver vento! As cortinas dormem.. Sabem… Podes matar a sede com as gotas lá de fora… A tua pele cheira a chuva! Secou com o calor das velas! Podes voltar amanhã, que o vinho estará servido!
terça-feira, abril 22, 2008
LER aos Pedaços

A nova revista LER começa a juntar-se num puzzle. Dirigida por Francisco José Viegas e com coordenação de João Pombeiro, a nova publicação, com o carimbo do "Circulo de Leitores", parece vir dar à Literatura o tratamento transversal de que ela estava órfã, entre nós. Para começar a ler...aos pedacinhos AQUI
segunda-feira, abril 21, 2008
A que nos resumimos!
Desafio lançado pela Guida, em Londres!
Um mês seria: Maio, mais todos os outros
Um dia da semana: Sábado
Um número: 7
Um planeta: Vénus
Uma direcção: sem rumo
Um móvel: baú
Um líquido: vinho
Um pecado: todos
Uma pedra: a filosofal!
Um metal: o dos parafusos da máquina fotográfica!
Uma árvore: chaparros!
Uma fruta: Amêndoas
Uma flor: Girassol!
Um clima: frio…para enrolar a manta!
Um instrumento musical: violino e depois, o silêncio!
Um elemento: fogo!
Uma cor: vermelho!
Um animal: labrador!
Um som: mar!
Uma canção: Romance, Chopin, pelas mãos da Maria João Pires
Um perfume: a pele
Um sentimento: o dos abraços prolongados!
Um livro: “Ensaio sobre a Cegueira”
Uma comida: aquela que ainda não experimentei!
Um lugar: o das viagens sem rumo de mochila às costas!
Um gosto: Canela!
Um cheiro: terra molhada depois da chuva
Uma palavra: aventura
Um verbo: Reinventar
Um objecto: caderno
Uma peça de roupa: lenço
Uma parte do corpo: ombros
Uma expressão: sorriso
Um filme: a minha vida dava um!
Uma forma: oblíqua
Uma estação: Liberdade!
Uma frase: Não exigas mais dos outros do que eles te podem dar, espontaneamente!
Um mês seria: Maio, mais todos os outros
Um dia da semana: Sábado
Um número: 7
Um planeta: Vénus
Uma direcção: sem rumo
Um móvel: baú
Um líquido: vinho
Um pecado: todos
Uma pedra: a filosofal!
Um metal: o dos parafusos da máquina fotográfica!
Uma árvore: chaparros!
Uma fruta: Amêndoas
Uma flor: Girassol!
Um clima: frio…para enrolar a manta!
Um instrumento musical: violino e depois, o silêncio!
Um elemento: fogo!
Uma cor: vermelho!
Um animal: labrador!
Um som: mar!
Uma canção: Romance, Chopin, pelas mãos da Maria João Pires
Um perfume: a pele
Um sentimento: o dos abraços prolongados!
Um livro: “Ensaio sobre a Cegueira”
Uma comida: aquela que ainda não experimentei!
Um lugar: o das viagens sem rumo de mochila às costas!
Um gosto: Canela!
Um cheiro: terra molhada depois da chuva
Uma palavra: aventura
Um verbo: Reinventar
Um objecto: caderno
Uma peça de roupa: lenço
Uma parte do corpo: ombros
Uma expressão: sorriso
Um filme: a minha vida dava um!
Uma forma: oblíqua
Uma estação: Liberdade!
Uma frase: Não exigas mais dos outros do que eles te podem dar, espontaneamente!
As minhas cidades invisíveis

As "Cidades invisíveis" de Italo Calvino jamais se poderiam dar bem umas com as outras! Não porque a sua disfuncionalidade é real em demasia, mas sim porque o seu sofrimento é antagónico em doses pesadas: destruir-se-iam em segundos! Nunca fui boa para nomes, por isso, não sei denominar como se chama a cidade dos "vivos" e dos "mortos"; ou aquela que os todos os homens idealizaram e não encontraram e, por isso, resolveram erguer, baseando-se em visões comuns! Eu sei: poderia ir ao livro de novo e ver, o nome justo pelo qual Marco Pólo as suspirou ao Kublai Khan! Mas não quero. Preciso, simplesmente, que essas cidades vivam dentro de mim, para que, desleixadamente, deixe que as pessoas que habitam nelas se cruzem comigo e eu saiba donde elas são; mesmo que elas venham de tão longe, como se eu nunca tivesse ouvido falar delas. Nesse dia, saberei que Ítalo Calvino já me falou delas ao ouvido. O mais curioso desta minha viagem, agora, com a mala do escritor, é que há uns anos, inconscientemente, sem sequer ter cruzado os olhos pelas cidades do Calvino escrevi uma crónica sobre viagens no suplemento "Fugas", do jornal "Público" com o título: “Viagem pelos lugares invisíveis”. Aí, acerca de uma incursão deambulante pelas surpresas da cidade de Copenhaga [Dinamarca] sem mapa, numa real descoberta das doçuras e sabores acres... Tropeçando, sem querer, nos lugares dentro de nós, e que só os nossos olhos sentem! O texto não é brilhante, nem se compara à maestria de Calvino. Mas vale pela coincidência da invisibilidade das cidades que habitam dentro de nós, que mais ninguém vê, mas quem sabe, com elas pode sonhar!Nesta altura, eu começava a conhecer as cidades dentro de mim!

Foto por vnrodrigues
Viagem pelos lugares invisíveis
Por Vanessa Rodrigues
Existem em todas as cidades. Na esquina de um prédio urbano. Nas ruelas sem saída. Ao redor de uma praça antiga. No limite de um túnel. Perto do metro. À saída de um hotel. À entrada de uma estação de comboio. Por trás de uma paragem de autocarro. Perto de um néon publicitário. Ao lado do café da moda. Só que por vezes não os vemos. Não percebemos os lugares invisíveis de uma cidade. Aqueles que não preenchem o mapa turístico. E contam mais histórias da cidade que visitamos, do que as atracções sugeridas. Perdemo-los. E não perscrutamos o genuíno telúrico. É nesses lugares que melhor sorvemos a cidade, a vila, o lugar. É no íntimo de locais incomuns que aprendemos a respirar ao ritmo da cidade. (Porque cada sítio tem um tempo próprio vital). Todos os lugares são assim. Não podiam deixar de o ser. Essas paragens estão imunes ao trilho turístico. São invisíveis porque se escondem no oculto citadino. Pelo interesse relativo de uns e a curiosidade de outros. Esses lugares podem ser os antiquários – que contam histórias da cidade. Os alfarrabistas, que pintam o cenário histórico do lugar. São a biblioteca local. A loja de discos antigos. A papelaria com design arrojado. O largo residencial de um prédio. As portas envelhecidas de uma casa (que sussurram narrativas). O jardim escondido ao dobrar a esquina. O café secular que serve chá em bules de porcelana antiga. O mercado onde, pela manhã, os olhos despertam para um dia de comércio. Mais: esses lugares (e ainda outros perdidos, por descobrir) são toda a cidade. O complemento ao sorver verdadeiro. Para sentir os cheiros que a movem. Os movimentos que faz. A hospitalidade que se apruma.
É, precisamente, no íntimo dos pequenos lugares – que, por acaso, se encontra – que quem habita a cidade está mais disponível para acolher. Mais predisposto a responder às curiosidades de quem visita a cidade.
Se realmente se quiser conhecer o lugar que se explora. Há um dia reservado para os lugares invisíveis. Que cada um descobre. À cadência do passo individual. Pela manhã. À tarde. Ao entardecer. À noite. Ou quem sabe ao amanhecer palpitante. Porque a aurora de um lugar desconhecido é sempre uma epifania a desvendar.
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