Deixaste a tampa da sanita levantada!Não lavaste a louça! Fizeste a cama? E a sala, ao menos, arrumaste? As cervejas, caramba!Sempre a mesma coisa! Em cima do bordado! Tapaste a pasta dos dentes? Não limpaste o lavatório dos pêlos da barba! Muda o canal para o futebol!Já te disse! Isso...ahhhh! Viste? Foi golo! Eu não vi! Puseste a cerveja a referescar? Limpaste a banheira? É a tua vez de lavar a louça! Porque me deixaste sozinha a conversar! Ah! Aquele era o teu chefe? Porque não me apresentaste? Estou mais gorda! Não achas que emagreci? 200 gramas! Estou de dieta!
Comprei apenas uma camisa, amor! Depois, aproveitei e comprei, também, umas meias para ti… Uma saia, uns sapatos, uns brincos, uma carteira, um creme, um batom, um casaco…ahhh! E aquela lingerie que me disseste que adoravas; e que cairia que nem uma luva em mim, quando fizesse dieta! Só isso! Deste de comer ao cão? Foste passeá-lo? Passei a noite a passar a ferro! Chegaste a que horas? Limpaste o presente que o teu cão deixou na sala? E o teu filho? Falaste com a tua filha? Grrrrrrrr!!!
Hum, convidaste os teus pais para almoçar? Perfeito! Colocaste o quadro na parede? Há anos que te peço e dizes sempre: "ah! isso é fácil é só fazer um furinho! E que é dele?". Mas disseste que não tinha problema! Compraste um carro novo? Espera: compraste-um-carro-novo? O papel higiénico acabou! Chegas-me a toalha? Não, hoje não! Estou com dor de cabeça. Não, estou cansado! Marcas de batom? Amor, este perfume!!! Estranho! De quem é este cabelo? Mas eu sou loira! Como disseste mesmo que se chamava o teu chefe? Ah, o mesmo que aparece nas mensagens! Fecha a porta!
Apaga a luz! Não venhas tarde! No sofá? Hoje? Eu disse-te que era por ali! Eu bem te disse! Tu é que quiseste virar à direita! Porque não perguntamos? Andamos às voltas! Acho que já passamos por aqui! Não? Não me disseste que estou linda hoje! Sim, cortei o cabelo. Há dois meses!Podias pôr aquela blusa! Aquele batom! Aquela saia! Os brincos! Mas disseste que não gostavas! É hoje! Quê? Já passou um ano! Hum…Rosas, de novo? Arroz? Outra vez?
segunda-feira, abril 21, 2008
segunda-feira, abril 14, 2008
"Eliminar Amigo"?????
Quando, no canto inferior direito da fotografia de cada uma das pessoas, que fazem parte dos nossos contactos, de um qualquer programa de rede social (tipo myspace; hi5;orkut, etc, aparece a opção "eliminar amigo", significa que alguma coisa está gravemente errada, há demasiado tempo, com a forma como nos relacionamos!A picada indolor da realidade não está, afinal, assim tão longe como eu pensava!
segunda-feira, abril 07, 2008
Into the Wild

Há cerca de duas semanas esbarrei com este filme na tela. Mergulhei sozinha na sala!Tive de me conter! Pelo menos não estava preparada para ele. Nem para as músicas de Eddie Vedder! Decidi que não iria ler nada sobre o filme. Queria entrar em branco na história. Pahhh! Foi como se recebesse várias picadas de abelha, subtis, mas dolorosas; e como se depois começasse a inchar, devagarinho! O filme fez estragos! Voltei para casa a pé! Foi como se Sean Penn me tivesse atirado um balde de água gelada, depois de uma sauna quentinha. Ele não me conhece, mas conseguiu retratar direitinho muitas das coisas que penso e guardo quietinhas num baú! Não falamos da história, mas da liberdade que a rodeia! Já disseram muitas vezes que não me consigo fazer entender!É certo! Cada um de nós tem uma linguagem! Não há dicionários sobre elas! De resto, desde Penn, só Júlio Medem tinha feito isso comigo com a "CaóticAna"! Há realizadores que sabem demais sobre o mundo!E conseguem, assim, frame a frame falar sobre nós!
domingo, abril 06, 2008
sábado, março 29, 2008
segunda-feira, março 24, 2008
Balado do vento
Condensado, como quem sobe a montanha.
Perdido, no epicentro magnético que trava.
Gelado nas entranhas dos pensamentos que não saem. Caem, por isso, montanha abaixo sem fôlego.
Contrariado, respondendo às agruras da aspereza da negatividade do pico das cordilheiras que ainda permanecem em nós. Cada um. Sopro a sopro. Subida a subida, sem descidas.
Até que jaz lá em baixo, rarefeito, sem oxigénio. Até ao último suspiro resvalado. Grasna, como um bip intermitente. Mistura-se com os olhos. O corpo arrepiado. Boca amordaçada. As palavras presas pela velocidade dos movimentos presos.
Não conseguimos vencê-lo – será que queremos? -, ininterruptamente.
Ainda somos pesados, para que nos leve com vida.
E se pudéssemos com ele flutuar, ainda que gelados, perdidos, condensados, talvez não seríamos tão sós, tão nós!
Perdido, no epicentro magnético que trava.
Gelado nas entranhas dos pensamentos que não saem. Caem, por isso, montanha abaixo sem fôlego.
Contrariado, respondendo às agruras da aspereza da negatividade do pico das cordilheiras que ainda permanecem em nós. Cada um. Sopro a sopro. Subida a subida, sem descidas.
Até que jaz lá em baixo, rarefeito, sem oxigénio. Até ao último suspiro resvalado. Grasna, como um bip intermitente. Mistura-se com os olhos. O corpo arrepiado. Boca amordaçada. As palavras presas pela velocidade dos movimentos presos.
Não conseguimos vencê-lo – será que queremos? -, ininterruptamente.
Ainda somos pesados, para que nos leve com vida.
E se pudéssemos com ele flutuar, ainda que gelados, perdidos, condensados, talvez não seríamos tão sós, tão nós!
quarta-feira, março 19, 2008
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Ligações Impossíveis

"Os aumentos dos preços já chegaram e prometem ficar acima da inflação”. “Este é o nosso suspeito do rapto de Maddie”. De capuz de Pai Natal, olhos de tarado – se é que há um padrão para estas coisas. E a mulher entrou. Sentou-se de um só fôlego. Saltitou com o amortecimento do corpo na cadeira. Rabo asseado nas almofadinhas dos transportes públicos. Está de saia. Sapatos catita. Meias cor de pele…parda! Ainda não lhe vi a cara, hoje. Será que quero? O do lado folheia o jornal do suspeito. Aquele que, pelos vistos, é nosso. Bem vistas as coisas: de todos nós! Espera! Ela cruzou a perna. Está entre um velho e um meio novo. Meio velho. É como o copo. No desequilíbrio da incerteza! Os sapatos – ainda não falei mais neles. E devia! Sapato de mijona, como diria a minha avó. Ela também os usou assim, não? Sapato preto. Ligeiro tacão quadrado. Uma sola elevada. Vá! Não chega a ser tacão. Apenas um desvio do que pode ser indício de feminilidade. A meia parda estremece quando a perna toca uma na outra. Cruzada! Aquele barulho frígido de dois esfregões bebés a roçar um no outro! Aquela impressão de arrepio de um quadro de giz. Previsível! Lenta como a eternidade que nunca chega a sê-lo tanto! Mas os barulhos da cidade abafam essa possibilidade sonora de chegar aos meus ouvidos. Por isso o som não existe. Imagino-o! E arrepio-me! São sons plurais. Nem sequer estremecem o singular!
O homem do lado, o meio velho; ou depois de novo; ou meio no começo da vida; amarfanha os jornais no saco do Jornal de Notícias. Schflap... Scfflap… Tzzzzz! Tem pinta de quem o compra todos os dias! O modo como pega no jornal com destreza, as mãos deslizando sobre o papel, dobrando ligeiramente a ponta; olhar direccional; delicadeza de quem ainda não se irritou com a falta de ergonomia dos nossos jornais: secos e ásperos. De leitura orientada para as gordas; o olhar rasante por cima do elemento de leitura para ver quem passa… Comprova a tese quotidiana da prática de leitura…
Nova estação. Barulhos de ocasião: o metro a deslizar nos trilhos; a voz off do intercomunicador; o arranque; o chiar; o parar; as portas a abrirem; a estremecer; o apitar… A música do mp3 do lado (walkman? minidisc?; …) estão para trás do tempo (mp4; ipod; telemóvel )… Outra estação. Sentido de viagem. Não o nosso! O do metro. Nova agitação; vozes de fundo; adolescentes carregados de palavras nasaladas. Dlim..Dlão, finalmente... Estação nova… As meias roçam – esfregões bebés repetidamente… Tzaahhh! Tzahhh! Não os ouço. A possibilidade de o serem! Cheira a suor. Velho, forte, carregado de sarro vivido!
“Fogo, oh Zé! Fogo! Que chaço, meu!”
Tosse um. Tosse dois. Sacos plásticos são abertos. O metro acelera… Pequenos solavancos. O ritmo, o rolamento…Três sons… Quatro..Cinco..E os que não ouvimos, contamos?
Vejo a cara dela. Não sei se a queria ver! A dos sapatos de soquete! Óculos escuros. Rosto farinha. “Harry Potter” na mão. Uma capa verde - como a saia axadrezada que ela veste.
Harry Potter e o Príncipe Misterioso… Terá ela um? Dois, Três, Quatro, Cinco, Seis…. Acreditará em cavalos brancos? Vassouras voadoras? Quantos amantes lhe passaram pelas meias pardas? “Menos de 174 milhões de impostos no tabaco.”
“A próxima estação tem ligação com autocarros”. Óptimo. É de ligações que estou a precisar!
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Taças Tibetanas, Espaço Divinos

Ontem foi dia de jantar vegetariano e concerto de Taças Tibetanas com Ana Tabuada, no Espaço Divinos, na Foz... A dica foi da Ana Pinheiro [obrigada. E descobrimos que ela é mais beta do que alfa...]e valeu para o resto da semana...Uma viagem ao mundo da reverberação...no corpo...
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Relíquias Nossas [4]
Filme de Chianca de Garcia. Estreou a 2 de Janeiro de 1939, no Tivoli, em Lisboa. Com Beatriz Costa
domingo, fevereiro 10, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008

© vnrodrigues, 2007
Lava as mãos. Água gelada que me inquieta os dedos. Fogo ardente, que aquece a água do comer. Prepara-te! O telhado ainda é de origem. Tzaaa!!!..Tzaaa!!!...Os pés arrastam-se nesse soalho gasto!Schhh! O avô não quer que se saiba! Vai fechar a porta para que o frio não entre. É dia. A cozinha escura como breu!Senta-te Tereza! É a hora de arrefecer a água do pote desse fogo. Lava as mãos. Não deixes que os ossos se constranjam com a escuridão fria dos ares do soalho!Aperta a camisa. Desabotoa a bata. Tira o chapéu, homem, para que te veja a cara! Quantos nasceram esta noite? Mulher, haverá mais limões na árvore amanhã!
sexta-feira, janeiro 11, 2008
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