sexta-feira, fevereiro 29, 2008
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Ligações Impossíveis

"Os aumentos dos preços já chegaram e prometem ficar acima da inflação”. “Este é o nosso suspeito do rapto de Maddie”. De capuz de Pai Natal, olhos de tarado – se é que há um padrão para estas coisas. E a mulher entrou. Sentou-se de um só fôlego. Saltitou com o amortecimento do corpo na cadeira. Rabo asseado nas almofadinhas dos transportes públicos. Está de saia. Sapatos catita. Meias cor de pele…parda! Ainda não lhe vi a cara, hoje. Será que quero? O do lado folheia o jornal do suspeito. Aquele que, pelos vistos, é nosso. Bem vistas as coisas: de todos nós! Espera! Ela cruzou a perna. Está entre um velho e um meio novo. Meio velho. É como o copo. No desequilíbrio da incerteza! Os sapatos – ainda não falei mais neles. E devia! Sapato de mijona, como diria a minha avó. Ela também os usou assim, não? Sapato preto. Ligeiro tacão quadrado. Uma sola elevada. Vá! Não chega a ser tacão. Apenas um desvio do que pode ser indício de feminilidade. A meia parda estremece quando a perna toca uma na outra. Cruzada! Aquele barulho frígido de dois esfregões bebés a roçar um no outro! Aquela impressão de arrepio de um quadro de giz. Previsível! Lenta como a eternidade que nunca chega a sê-lo tanto! Mas os barulhos da cidade abafam essa possibilidade sonora de chegar aos meus ouvidos. Por isso o som não existe. Imagino-o! E arrepio-me! São sons plurais. Nem sequer estremecem o singular!
O homem do lado, o meio velho; ou depois de novo; ou meio no começo da vida; amarfanha os jornais no saco do Jornal de Notícias. Schflap... Scfflap… Tzzzzz! Tem pinta de quem o compra todos os dias! O modo como pega no jornal com destreza, as mãos deslizando sobre o papel, dobrando ligeiramente a ponta; olhar direccional; delicadeza de quem ainda não se irritou com a falta de ergonomia dos nossos jornais: secos e ásperos. De leitura orientada para as gordas; o olhar rasante por cima do elemento de leitura para ver quem passa… Comprova a tese quotidiana da prática de leitura…
Nova estação. Barulhos de ocasião: o metro a deslizar nos trilhos; a voz off do intercomunicador; o arranque; o chiar; o parar; as portas a abrirem; a estremecer; o apitar… A música do mp3 do lado (walkman? minidisc?; …) estão para trás do tempo (mp4; ipod; telemóvel )… Outra estação. Sentido de viagem. Não o nosso! O do metro. Nova agitação; vozes de fundo; adolescentes carregados de palavras nasaladas. Dlim..Dlão, finalmente... Estação nova… As meias roçam – esfregões bebés repetidamente… Tzaahhh! Tzahhh! Não os ouço. A possibilidade de o serem! Cheira a suor. Velho, forte, carregado de sarro vivido!
“Fogo, oh Zé! Fogo! Que chaço, meu!”
Tosse um. Tosse dois. Sacos plásticos são abertos. O metro acelera… Pequenos solavancos. O ritmo, o rolamento…Três sons… Quatro..Cinco..E os que não ouvimos, contamos?
Vejo a cara dela. Não sei se a queria ver! A dos sapatos de soquete! Óculos escuros. Rosto farinha. “Harry Potter” na mão. Uma capa verde - como a saia axadrezada que ela veste.
Harry Potter e o Príncipe Misterioso… Terá ela um? Dois, Três, Quatro, Cinco, Seis…. Acreditará em cavalos brancos? Vassouras voadoras? Quantos amantes lhe passaram pelas meias pardas? “Menos de 174 milhões de impostos no tabaco.”
“A próxima estação tem ligação com autocarros”. Óptimo. É de ligações que estou a precisar!
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Taças Tibetanas, Espaço Divinos

Ontem foi dia de jantar vegetariano e concerto de Taças Tibetanas com Ana Tabuada, no Espaço Divinos, na Foz... A dica foi da Ana Pinheiro [obrigada. E descobrimos que ela é mais beta do que alfa...]e valeu para o resto da semana...Uma viagem ao mundo da reverberação...no corpo...
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Relíquias Nossas [4]
Filme de Chianca de Garcia. Estreou a 2 de Janeiro de 1939, no Tivoli, em Lisboa. Com Beatriz Costa
domingo, fevereiro 10, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008

© vnrodrigues, 2007
Lava as mãos. Água gelada que me inquieta os dedos. Fogo ardente, que aquece a água do comer. Prepara-te! O telhado ainda é de origem. Tzaaa!!!..Tzaaa!!!...Os pés arrastam-se nesse soalho gasto!Schhh! O avô não quer que se saiba! Vai fechar a porta para que o frio não entre. É dia. A cozinha escura como breu!Senta-te Tereza! É a hora de arrefecer a água do pote desse fogo. Lava as mãos. Não deixes que os ossos se constranjam com a escuridão fria dos ares do soalho!Aperta a camisa. Desabotoa a bata. Tira o chapéu, homem, para que te veja a cara! Quantos nasceram esta noite? Mulher, haverá mais limões na árvore amanhã!
sexta-feira, janeiro 11, 2008
terça-feira, janeiro 08, 2008
quinta-feira, dezembro 06, 2007
sábado, dezembro 01, 2007
Curiosidades
Enquanto o mundo cai aos pedaços, há ainda uma parte do mundo que se regozija com os pedaços dos outros. O nosso Portugal, por exemplo. Mas antes o contexto: enquanto Chávez prega a ditadura em cada gesto (só no último mês mudou a Constituição, reformou a educação com manuais ainda mais "vermelhos", criou um Instituto de cinema e propaganda, ...- e nisto não é preciso ser-se um especialista em política latino-americana para ler nas entrelinhas); Bin Laden pede à Europa para deixar de ser aliada dos EUA (uma vez o poder nunca a subserviência); o povo boliviano agoniza com violência, crise e miséria; milhares agonizam em catástrofes naturais, crises humanitárias,....(para saber o resto basta fazer "copiar" e "colar" num jornal perto de si)...Bom: e enquanto isso temos uns senhores a brincar a gente grande, mais uma vez, na cadeira do poder camarário- desta feita de Lisboa: um dança e balança, antes que rebolem cabeças. Claro, se o mundo fosse senhor de si mesmo, esta não seria, por acaso uma prioridade: façam-nos um favor e passem a usar chupeta. A ver se se lhes corta o pio e o arrepio. Sem birras!
[Curioso: o "chupeta" era o apelido do Barão do narcotráfico da Colômbia, preso há três meses no Brasil. Prioridades!]
[Curioso: o "chupeta" era o apelido do Barão do narcotráfico da Colômbia, preso há três meses no Brasil. Prioridades!]
sexta-feira, novembro 30, 2007
Esquizofrenias...colectivas!
Abrir um site de notícias pode ser das experiências mais esquizofrénicas possíveis, mas também das mais democráticas. Eu explico: passar o cursor pelas manchetes, nunca conseguir ler a notícia até ao fim, porque há ainda muito para ler e o mundo está a acontecer mais rápido que um "inspira" e "expira";saltar da edição de economia para a cultura, da cultura para a sociedade; voltar à economia, ler o internacional, voltar à cultura e mais um, e outro jornal, e mais outro e a rádio, e os videos... Ok, chega! Já sabemos tudo e não sabemos nada. De resto, em que outro lugar do mundo Evo Morales apareceria do lado de Hillary Clinton, com Hugo Chávez na coluna do lado, Brad Pitt na foto em baixo com a sua Jolie? É que o pluralismo actual resume-se a isto: palavra de honra, sem esquizofrenias!
terça-feira, novembro 27, 2007


sexta-feira, novembro 16, 2007
Quase senti os cheiros daquelas calçadas transpirantes de histórias. Quase me senti perto do "zumzum" que bate na luz de Lisboa. Se fechar os olhos estou lá. Isto para alguém como eu, que tem o Atlântico a separar-me da minha terra!
De resto, para quem não conhece Lisboa, Wim Wenders usou e abusou das riquezas dos sons, das gentes e da luz para que aconteça o inevitável: apaixonarmo-nos por ela, numa lição sobre cinema em três actos!
quinta-feira, novembro 08, 2007
sábado, novembro 03, 2007
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