quinta-feira, março 15, 2007
quinta-feira, março 08, 2007
Hipnose...
quarta-feira, março 07, 2007
terça-feira, março 06, 2007
Reino Encantado



Há Reino Encantado a meia hora de Lisboa. Lá, onde o Palácio da Pena está sempre casado com um nevoeiro sebastianino. Mas, àquela hora, a névoa divorciara-se do Palácio colorido e mudava a luz que o abraçava. As árvores já não tinham o ar fantasmagórico habitual, enchendo as cabeças de contos queirosianos. Àquela hora, o sol ameaçava pôr-se daqui a nada. E o vento cortava em vertigens. Um eco absoluto ouvia-se, assobiado! E, ao longe, os vales e as montanhas pareciam cenário montado há pouco. Àquela hora os vigias ansiavam a hora de saída, mas ainda se ouvia uma gravação de som de piano a sair por uma das janelas. Depois era o Palácio de sempre, adormecido pelo fim de tarde, e o abandono da noite, onde começam as histórias.
Queria deixar-te uma carta escondida
Daquelas que só descobres anos depois
Na poeira de um baú
No folhear de um livro esquecido
Daqueles em que o papel se perde no mofo
No respirar do bafo sonolento
Na imensidão do tempo… ;
Queria deixar-te uma nota em papel pautado
Como um solfejo atrasado…em ritmo perdido!
Uma carta mal escrita…Uma lágrima manchada…
Uma carta…
E depois de a encontrares,
Pensares que afinal nada do tempo passou…
E que escondido como a carta aquela sensação…
Sem leres, pensares de novo
Os tantos lugares; os tantos rostos
Os escassos momentos de noites vazias
Ou alegrias passadas
Talvez sorrisos de amoras
E líquidos de seiva de mel…
Só queria deixar-te essa carta…
Que não vais ler…
Lacrá-la com o selo sofrido…
Nunca vivido!Sempre adiado!
Ficar em suspenso no tempo e, depois
Apenas achar num lugar qualquer
E guardar como a memória que nunca passou!
[Porque a verdade é que nem o tempo importa]
segunda-feira, março 05, 2007
IDIOMA, Biblioteca Municipal, Praga


foto.grafias vnrodrigues[-MATEJ KRÉN-]
Só pode ser que a esta hora o orvalho se esqueça de amargar a brisa. E os lobos se escondam a rosnar como cães vadios que aceitam a condição.
domingo, março 04, 2007
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
"Foley Room". 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
terça-feira, fevereiro 13, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
As minhas últimas ressacas...
terça-feira, fevereiro 06, 2007
terça-feira, janeiro 30, 2007
Mehldau divinal#CCB
segunda-feira, janeiro 29, 2007
sábado, janeiro 20, 2007
sexta-feira, janeiro 05, 2007
quinta-feira, janeiro 04, 2007
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Os momentos incertos da saudade;
Carrego pedaços de fantasmas daqueles biombos do quarto soprado
[sem cortinas para que nao me esconda];
Livros desfolhados, esquecidos no tempo.
Folheados pelos dedos amargos desse copo vazio;
Levo comigo as sensaçoes abstractas;
O meu mundo cheio, sem porta para entrar.
quarta-feira, novembro 22, 2006
Sardo Pasmo

Estou agachado ao chão [e é lá que ouço as luzes dadas da cidade ruidosa]
No torresmo de terra batida – no aflito conforto do ponto de urze;
No espelho inquieto que se compraz com a pedra degradada;
E a esdrúxula memória da espera saliente.
Varrem jograis no marulhar citadino;
Semáforos que grunhem ao silêncio;
E raspam perecíveis úlceras à esquizofrenia dos dedos que cravam o ar;
É espera casta das memórias adormecidas;
O prazer dado, raspado da língua galgada pelo amargo;
Em doce trago depois [como esse, do mel jorrado em torrão]!
E lá, migalhas caídas no colo da velha que doba as linhas
[porque o pano retalhado desfiou - no chão onde chaparros desfloram amendoeiras enganadas].
E lá, alguidares perdidos no gasto galho seco gelado;
De neve imberbe, camareiro;
Olhos vendados; cheiros ríspidos;
Desertos vastos de xailes que não chegam a afagar-te.
Vagabundos mundos!
Riscas listradas de saliência tardia.
E o sardo pasmo das bocas amolecidas de bagaço;
Hálito telúrico, onde jazem incertos peregrinos de poeira sem rasto;
Pó (como um copo estilhaçado que volta a sê-lo). E pode, porém!
Sardos pasmos mais uma vez. Do rasgo sadio. Desmazelado entre miasmas secretos. Como bastasse.
Folhas secas que rangem ao chão. Em úlceras viscerais estremecidas,
Em orgástico sentido. Lá, onde as mulheres parem retrógadas ilusões.
Ásperas confissões do mundo por ver.
Sardos pasmos assim lépidos, mofados de maduros caroços comidos [trincados com gasta sensação, em espera demorada pela saliva de relevo].
Agora penetra. Esquece trémulas canduras deificadas, como a língua que roça o luar,
Sem poder deixar de fazê-lo.
terça-feira, novembro 21, 2006

Não se sabe por onde se escondem os segredos de Koop; ou porque fica frio no silêncio, onde se sentam. A verdade fica sempre lá, serenada na melodia. Ou no baixo subtil; esquecido num qualquer som de gaivotas. Se é swing? Escondido! Um jazz sentado à beira-mar. Bem vincado num barco que junta a ténue cadência do saxofone, traída por uma trompete; e depois silenciado por uma primavera precoce do xilofone que procura por si e depois olha para trás sem ver. É que não tem nada a perder, mesmo!Bateria ligeira; sons de baques, em mistura com aquele sedutor jazz solitário.
Koop Islands
Released: 2006-10-04
Record number: GRÅ C-6
Label: Superstudio































